A estabilidade nos índices de obesidade infantil em Mato Grosso do Sul é destacada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), que enfatiza a importância da vigilância nutricional, da alimentação saudável e da prática de atividade física como pilares para o desenvolvimento pleno das crianças. A data de conscientização contra a Obesidade Infantil, celebrada na quarta-feira (3), serve como um alerta para um desafio de saúde pública que afeta o país, associado a hábitos como dieta inadequada, sedentarismo e aumento do tempo em frente às telas. Tais fatores elevam o risco de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, impactando diretamente a qualidade de vida dos pequenos.
Destaques:
- Índices de obesidade infantil em MS mostram estabilidade entre 2021 e 2025.
- Ações de prevenção focam em vigilância nutricional, alimentação saudável e atividade física.
- Família e ambiente obesogênico são apontados como fatores cruciais no desenvolvimento da obesidade infantil.
O acompanhamento regular do crescimento e desenvolvimento nas unidades básicas de saúde constitui o primeiro passo para a identificação e prevenção da obesidade infantil. Por meio da aferição de peso e altura, os profissionais de saúde monitoram o estado nutricional da criança, registrando as informações na Caderneta da Criança. Este registro permite acompanhar a curva de crescimento, ferramenta essencial para detectar precocemente sobrepeso e obesidade, possibilitando a intervenção e orientação adequadas.
O papel da família é considerado fundamental nesse processo. Levar a criança regularmente à unidade de saúde para monitoramento contínuo é crucial para identificar alterações nutricionais e promover mudanças que favoreçam a saúde infantil. A influência dos hábitos familiares é direta na formação das escolhas alimentares das crianças, que aprendem por observação, valorizando o consumo de alimentos in natura e a preparação de refeições em casa.
As transformações no estilo de vida contemporâneo contribuem para o cenário. A diminuição de brincadeiras ao ar livre e o aumento do tempo dedicado a atividades sedentárias e telas, somados ao fácil acesso a alimentos ultraprocessados – como biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes e bebidas açucaradas –, com alta densidade calórica e baixo valor nutricional, favorecem o ganho excessivo de peso. Este contexto é definido como ambiente obesogênico, que abrange ainda fenômenos como desertos e pântanos alimentares, além da redução de espaços para a prática de atividades físicas.
A prevenção inicia nos primeiros anos de vida. O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos recomenda a não oferta de açúcar nessa faixa etária. O aleitamento materno exclusivo até os seis meses e continuado, de forma complementar, até os dois anos ou mais, é um fator de proteção contra a obesidade infantil.
Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), referentes a crianças atendidas pela Atenção Primária à Saúde em Mato Grosso do Sul, indicam que os índices de obesidade entre crianças de 0 a 5 anos permaneceram estáveis entre 2021 e 2025, com uma média de 4,92%. No período, os percentuais foram de 5,90% em 2021, 4,75% em 2022, 4,67% em 2023, 4,50% em 2024 e 4,77% em 2025. Entre as crianças de 5 a 10 anos, observou-se estabilidade com uma discreta redução no percentual de obesidade, de 9,49% em 2021 para 9,04% em 2025. A obesidade grave nesta faixa etária também apresentou queda, passando de 5,76% para 5,37% no mesmo período.
A SES reforça a necessidade de monitoramento permanente para evitar o avanço da doença. A obesidade infantil é tema prioritário no Programa Saúde na Escola (PSE), com foco na promoção da alimentação saudável e no incentivo à atividade física. A atuação da Secretaria também se dá por meio da Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISAN), estabelecendo metas para a segurança alimentar e nutricional. Ações de Educação Permanente em Saúde para profissionais municipais, fortalecimento da Vigilância Alimentar e Nutricional e apoio à Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil complementam as iniciativas para a construção de hábitos saudáveis desde a infância.


