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Tragédias no Asfalto: Acidentes e Mortes Escancaram Crise de Conscientização Viária em MS no Dia do Pedestre

Destaques:

  • Quatro mortes foram registradas no trânsito de Mato Grosso do Sul no fim de semana do Dia do Pedestre, marcando o período com acidentes graves.
  • A falta de atenção, imprudência e o uso de celular ao volante são apontados por cidadãos como os principais vilões da segurança viária no estado.
  • O caso de Luciano Berbert Mariano, 54 anos, atropelado em Campo Grande, ecoa a fragilidade dos pedestres diante de um trânsito que, para muitos, carece de respeito e fiscalização efetiva.

Contexto de Perigo nas Vias de Mato Grosso do Sul

O fim de semana que deveria ser de reflexão sobre a segurança dos pedestres, em celebração à data comemorativa em 8 de agosto, transformou-se em um doloroso alerta em Mato Grosso do Sul. Quatro mortes foram registradas em incidentes de trânsito, entre atropelamentos e colisões, pintando um cenário sombrio e urgente para as autoridades e a sociedade local. Um dos fatos que mais reverberou na capital, Campo Grande, foi o atropelamento fatal de Luciano Berbert Mariano, 54 anos. O incidente ocorreu na madrugada de sábado (8), no bairro Estrela do Sul, expondo a vulnerabilidade de quem caminha pelas vias urbanas.

Vozes da Rua: Pedestres, Motoristas e a Busca por Conscientização

Nas movimentadas ruas de Campo Grande, a percepção sobre a origem desses acidentes é quase unânime entre motoristas, motociclistas e pedestres: uma significativa parcela dessas tragédias poderia ser evitada com uma maior dose de atenção e responsabilidade no trânsito. A escritora aposentada Rosaura Ferreira de Oliveira, frequentadora assídua da região central, expressa um sentimento de frustração com a recorrente desobediência às regras. Ela defende que uma educação viária mais robusta, aliada a punições mais rigorosas, seria um caminho para mitigar os problemas, especialmente os atropelamentos.

“Uma educação com punição mais séria para quem não cumpre as regras. Você sabe que a maioria dos motoristas não obedece. Fica muito difícil. Às vezes ele atropela, foge e aparece depois do tempo de flagrante. Eu vejo isso, estou sempre aqui no centro, é um em 100 motoristas que param pra gente atravessar”, relata, enfatizando a dificuldade em simplesmente cruzar uma rua.

A advogada Vera Vasconcelos, que necessita de um andador para se locomover devido a uma condição no joelho, compartilha da mesma visão. Durante um acompanhamento em um cruzamento central, ela apontou que a conscientização dos condutores é fundamental para a redução dos acidentes. “Eu acho que motoristas mais conscientes melhorariam. Há muitos motoristas violentos, tanto nas motos quanto nos carros. Tem sinalização, mas eles não respeitam. As pessoas abusam e é por isso que acontecem muitos acidentes”, afirma.

Para o motorista de aplicativo Nelson Benites, o foco principal deveria ser um trabalho contínuo de educação para todos os usuários das vias. “O principal é fazer um trabalho de educação no trânsito, tanto para motoristas quanto para motociclistas e pedestres que atravessam no meio da rua e que não usam a faixa de segurança. Uma maior atenção no trânsito também melhoraria e causaria menos acidentes”, opina.

Rogaciano Arruda, trabalhador de frigorífico, também atribui a muitos acidentes a falta de atenção, com especial destaque para os motociclistas que circulam entre os veículos. “Eu acho que a atenção do motorista, principalmente do motoqueiro que anda entre os carros. Acho que a maioria desses acidentes é por imprudência de motorista mesmo”, avalia.

Um ponto recorrente nas discussões é o uso do celular ao volante. A distração proporcionada por smartphones é vista como um fator de risco significativo, capaz de levar a novos acidentes e, tragicamente, à perda de vidas. Um motociclista, que preferiu não se identificar, defende uma fiscalização mais rigorosa sobre condutores que utilizam o aparelho em movimento e que desrespeitam os limites de velocidade dentro da área urbana.

Um Mosaico de Tragédias pelo Estado

Além do lamentável episódio em Campo Grande com Luciano Berbert Mariano, o estado registrou outras fatalidades que compõem um quadro preocupante. Em Terenos, cidade próxima à capital, Marcos Antônio Claranhan, 52 anos, faleceu na madrugada de domingo (9) após seu veículo sair da pista e capotar na MS-352, na zona rural. O acidente deixou ainda três feridos. Em Amambai, a 351 quilômetros de Campo Grande, Gustavo Davalos, 23 anos, morreu na madrugada de domingo (9) ao colidir seu carro contra um poste de luz na Avenida Pedro Manvailler, no centro da cidade. A BR-262, em Miranda, foi palco de mais uma tragédia na manhã de domingo (9), quando Odinaldo Moreira, 34 anos, perdeu a vida após uma colisão entre sua motocicleta e um carro. Ele sofreu a decepação de parte da perna esquerda e, apesar de ter sido transferido para a Santa Casa de Campo Grande, não resistiu e faleceu à noite. A condutora do veículo envolvido neste último acidente realizou o teste do bafômetro, que indicou o consumo de álcool.

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