O artista visual sul-mato-grossense Evandro Prado, aos 40 anos, relata sua intensa recuperação após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) há cerca de seis meses. Ele passou quase três meses internado e enfrentou três cirurgias na cabeça, um período que ele define como uma luta diária e cheia de esperança.
Recentemente, Evandro compartilhou nas redes sociais detalhes de sua jornada desde dezembro do ano passado. Em relato, ele expressa otimismo com os progressos, afirmando que já consegue realizar a maioria das atividades sozinho e está recuperando sua autonomia.
“Eu estou super bem agora. Já tem quase seis meses que eu saí do hospital. Agora eu consigo fazer tudo sozinho, estou quase andando”, declara.
Nascido em Campo Grande e radicado em São Paulo, Evandro é formado em Artes Visuais pela UFMS. Sua trajetória artística é marcada por obras que exploram temas como religião, política e consumo, muitas vezes utilizando elementos da cultura popular. Sua exposição “Habemus Cocam”, de 2006, causou polêmica ao mesclar símbolos católicos com referências de consumo.
Os primeiros sinais de alerta surgiram semanas antes do AVC, com dores de cabeça persistentes. Após procurar atendimento médico em Campo Grande e receber um diagnóstico de infecção, Evandro retornou a São Paulo. Poucos dias depois, acordou com intensa dor de cabeça e tontura, sintomas que o levaram a acreditar em labirintite.
A partir desse momento, suas lembranças se tornam nebulosas. O namorado acionou o serviço de emergência, e Evandro foi levado ao Hospital das Clínicas. Ele descreve o incidente como um desmaio, perdendo a consciência.
O AVC afetou o cerebelo, área crucial para o equilíbrio e coordenação motora. Durante a internação, passou por três intervenções cirúrgicas. “Depois das cirurgias, comecei a melhorar. Ainda bem devagar, mas não parei mais”, relata.
O artista permaneceu hospitalizado por quase três meses, sem recordar o período mais crítico do tratamento, incluindo visitas. A gravidade do quadro só se tornou clara após sua alta. Ele passou por coma, intubação e traqueostomia, momentos que o levaram a ficar entre a vida e a morte.
O AVC ocorreu logo após Evandro completar 40 anos. Médicos investigaram possíveis causas, mas nenhuma foi definida. Ele ressalta que não possui fatores de risco como excesso de peso, tabagismo ou uso de drogas.
Atualmente, Evandro lida com sequelas, como tremores que o impedem de pintar. Ele não estabelece prazos para retornar à produção artística, projetando esse retorno apenas para o próximo ano.
Apesar dos desafios, Evandro mantém forte confiança em sua recuperação. “Na minha cabeça, eu vou ficar bom de novo. Pode demorar seis meses, um ano ou um ano e meio, mas eu tenho para mim que vou voltar a andar, falar e pintar, tudo igual antigamente. Tem que ter paciência”, afirma.
Mesmo sem poder criar novas obras, dois projetos de exposições com trabalhos produzidos antes do AVC já estão agendados para este ano. Uma mostra ocorrerá em São Paulo em novembro, e outra em Campo Grande, na Galeria de Vidro, em dezembro. As exposições coincidirão com o lançamento de um livro celebrando seus 20 anos de carreira artística.

