Destaques:
- Casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Brasil iniciam um movimento de queda após uma elevação contínua que perdurou por quase cinco meses.
- A redução nacional é impulsionada pela menor velocidade de crescimento de internações por VSR e pela diminuição de casos de influenza A e B.
- Seis estados, incluindo Mato Grosso do Sul, permanecem em níveis de alerta para SRAG, com tendência de crescimento a longo prazo.
Contexto Nacional e Regional da SRAG
A análise mais recente do Boletim InfoGripe revela um ponto de inflexão no cenário nacional das Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG). Após um período prolongado de alta, que se estendeu por quase cinco meses, os dados apontam para um início de declínio nos casos. Essa desaceleração generalizada é atribuída principalmente ao abrandamento no ritmo de internações causadas pelo vírus sincicial respiratório (VSR) e à queda nas hospitalizações por influenza, tanto do tipo A quanto B. Apesar da tendência de queda, o boletim ressalta que o volume de ocorrências ainda se mantém em patamares elevados em diversas regiões do país.
Mato Grosso do Sul e Outros Estados em Ponto de Atenção
O cenário epidemiológico da SRAG em nível nacional esconde particularidades regionais que exigem acompanhamento atento. Seis estados permanecem em níveis de alerta, risco ou alto risco para a síndrome, com a projeção de uma tendência de crescimento no cenário de longo prazo. Entre eles, encontra-se o Mato Grosso do Sul, demandando atenção especial por parte das autoridades de saúde e da população local. Amazonas, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina também compõem esta lista crítica.
A persistência de casos de SRAG associados ao VSR é notória em toda a Região Sul, além de Minas Gerais e São Paulo. No Norte, Roraima também apresenta essa característica. Nas demais unidades federativas, a pesquisa já identifica estabilização ou um movimento de redução dos registros.
Quanto à influenza A, o período de maior circulação viral parece ter chegado ao fim na maior parte do território brasileiro. Contudo, os casos graves de influenza A continuam em níveis preocupantes no Acre, Minas Gerais, Paraná, Roraima e São Paulo, mesmo com uma tendência de queda.
A influenza B, por sua vez, demonstra crescimento em diversos estados do Centro-Sul, como Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. No entanto, em estados como Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, já se observam sinais de estabilização ou o início da redução de novos casos.
O Amazonas apresenta um quadro particular, onde o aumento das ocorrências de SRAG entre idosos é provavelmente correlacionado ao crescimento das hospitalizações por Covid-19. Este dado reforça a complexidade da vigilância em saúde e a necessidade de monitoramento contínuo de múltiplos patógenos.
Prevalência dos Vírus e Recomendações para Prevenção
Nas últimas quatro semanas epidemiológicas consideradas pela pesquisa, a distribuição dos vírus em casos positivos de SRAG revelou:
- Influenza A: 12,7%
- Influenza B: 8,4%
- VSR: 55,9%
- Rinovírus: 23,3%
- Sars-CoV-2 (Covid-19): 2,2%
No que se refere aos óbitos associados a essas síndromes, a prevalência dos agentes foi a seguinte:
- Influenza A: 33,1%
- Influenza B: 15,4%
- VSR: 21,7%
- Rinovírus: 26,3%
- Sars-CoV-2 (Covid-19): 6,9%
Apesar do início da queda nas hospitalizações, a persistência de um volume elevado de casos reforça a importância de manter e reforçar as medidas de prevenção. A adoção de práticas como cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, a lavagem frequente das mãos, o isolamento ao apresentar sintomas gripais, o uso de máscara quando necessário e a atualização das vacinações, especialmente para os grupos de risco, continuam sendo fundamentais para mitigar a propagação das infecções respiratórias e proteger a saúde coletiva no estado e em todo o país.

