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Campo Grande em Destaque: Medicamento Raro Transforma Vida de Criança com Nanismo e Impulsiona Debate Nacional por Acesso no SUS

Em um avanço notável para crianças com acondroplasia, a forma mais comum de nanismo, o medicamento Voxzogo (vosoritida) tem demonstrado resultados promissores, gerando esperança e um intenso debate sobre sua inclusão no Sistema Único de Saúde (SUS). A história de Cecília, uma criança de apenas 1 ano, ilustra o impacto positivo desse tratamento, que mobiliza famílias, incluindo uma mãe de Campo Grande, na busca por acesso universal.

A mãe de Cecília, Mariana Leal, relatou uma transformação visível em sua filha poucas semanas após o início do tratamento. “Ela era muito molinha, não sustentava bem o pescocinho e ainda não sentava. Depois que começou o tratamento, no mesmo mês ela já sentou sozinha, ficou mais firme e ganhou força”, conta Mariana.

O Tratamento Inovador: Voxzogo e Seus Desafios

O Voxzogo (vosoritida) é o único tratamento aprovado globalmente para a acondroplasia. Administrado por injeções diárias, sua indicação vai dos primeiros meses de vida até o fechamento do crescimento ósseo na adolescência. No entanto, o custo anual da medicação, estimado em cerca de R$ 2 milhões, torna o acesso uma barreira significativa, exigindo, na maioria dos casos, ação judicial. Foi por esse caminho que Mariana conseguiu garantir o tratamento de Cecília, iniciado quando a menina tinha sete meses de idade.

“É uma picadinha todos os dias. A agulha é pequena, de insulina. O que arde um pouco é o líquido. Mas é uma dor pelo bem dela”, descreve Mariana sobre a rotina de aplicações.

Resultados Que Surpreendem

Em sete meses de uso, Cecília apresentou avanços que impressionaram os profissionais de saúde que a acompanham. Segundo sua mãe, a criança ganhou aproximadamente 7,5 centímetros de altura e 6 centímetros na envergadura dos braços. Mariana enfatiza que o crescimento dos membros é crucial para a autonomia e qualidade de vida das crianças. “Os bracinhos maiores ajudam a alcançar coisas, a conseguir fazer a própria higiene, se vestir. Não é só altura, é independência”, explica.

Debate Nacional: Inclusão do Medicamento no SUS

A discussão sobre a inclusão do Voxzogo no SUS ganhou força com a abertura de uma consulta pública pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS). A comissão avalia a possibilidade de tornar o medicamento disponível para todas as crianças com acondroplasia diagnosticadas no país, a partir dos 6 meses de idade.

A avaliação técnica inicial da Conitec foi desfavorável, principalmente devido ao alto custo e ao impacto no orçamento público. No entanto, a decisão final considera também a opinião da sociedade, que pôde se manifestar em votação online. Em um movimento recente, mães de crianças com acondroplasia, incluindo uma representante de Campo Grande, estiveram em Brasília (DF) para discutir o tema em audiência pública no Senado. “Não é só estética, como muitas pessoas pensam. Estamos falando de saúde, autonomia e qualidade de vida”, destacaram as mães.

Compreendendo a Acondroplasia

A acondroplasia é uma mutação genética rara, afetando cerca de um a cada 25 mil nascimentos. Em aproximadamente 80% dos casos, a condição ocorre espontaneamente, sem histórico familiar. Embora o nanismo seja frequentemente associado apenas à baixa estatura, especialistas alertam que a condição envolve diversas complicações de saúde. Entre elas, estão a compressão do forame magno (região na base do crânio que pode pressionar a medula), deformidades ósseas, arqueamento das pernas, dores crônicas, otites frequentes que podem levar à perda auditiva e dificuldades respiratórias. Crianças com acondroplasia também podem apresentar hipotonia (fraqueza muscular) e atraso no desenvolvimento motor.

Cecília, por exemplo, exige uma série de acompanhamentos médicos e exames periódicos, incluindo ressonância da coluna e do crânio, avaliação neurológica, exames do sono, consultas com ortopedista e otorrinolaringologista, além de fisioterapia diária.

Acesso Judicial: O Caminho para Muitos

A presidente do Instituto Nacional de Nanismo, Juliana Yamin, informou que, atualmente, cerca de 500 crianças brasileiras utilizam o Voxzogo, a maioria por meio de decisões judiciais. O acesso via processos legais restringe o tratamento a famílias que conseguem recorrer à Justiça.

A advogada Anaísa Banhara, referência na área, afirmou que processos na área de saúde costumam ser mais céleres, com crianças recebendo a medicação em até um mês e meio após a liminar ser deferida, embora o governo frequentemente recorra. Banhara representa mais de 100 crianças que conquistaram o direito ao medicamento gratuito. “A melhora do quadro clínico é surreal”, celebrou a advogada, destacando a importância de garantir esse direito para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes.

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