Mato Grosso do Sul se consolida como referência nacional no planejamento e execução da universalização do saneamento básico, com projeções que indicam a conquista dessa meta até o final de 2027. Este avanço não se traduz apenas em melhorias diretas para a saúde e o bem-estar da população, mas também em impactos significativos para a economia, o turismo e a valorização imobiliária no estado.
Um estudo detalhado, apresentado recentemente, mensurou os ganhos econômicos e sociais decorrentes da expansão do saneamento básico. Entre 2005 e 2024, Mato Grosso do Sul já acumula um benefício econômico de quase R$ 20 bilhões com o aumento da cobertura de água e esgoto. A expectativa é que, entre 2025 e 2031, este valor bruto alcance R$ 26 bilhões. Para o período de 2025 a 2040, os benefícios econômicos diretos ao cidadão podem chegar a R$ 40,845 bilhões.
A análise aponta um retorno expressivo para cada real investido: cada R$ 1,00 aplicado em saneamento no estado gera R$ 5,90 em ganhos sociais, superando a média nacional, que é de R$ 4,10. Essa eficiência demonstra o poder transformador da infraestrutura sanitária.
A consolidação deste cenário é fruto de decisões estratégicas e investimentos concentrados, incluindo a Parceria Público-Privada (PPP) do Esgoto Sanitário, concretizada em 2021, antes mesmo da elaboração do Marco Legal do Saneamento. Essa iniciativa possibilitou um salto significativo na cobertura de esgoto, que passou de 35% para aproximadamente 80% nos municípios atendidos.
A ampliação da rede de esgoto tem sido acelerada, com um aumento de quase cinco pontos percentuais em menos de um ano. Dados recentes indicam que a cobertura nos municípios atendidos pela Sanesul subiu de 72,34% em agosto de 2025 para 77,04% em maio de 2026. Esse avanço resulta de investimentos substanciais provenientes da PPP entre Sanesul e Ambiental MS Pantanal.
Atualmente, cerca de 30 municípios atendidos pela Sanesul registram cobertura de esgoto superior a 90%, com alguns casos se aproximando da universalização. Cidades como Bataguassu, Brasilândia, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo, Selvíria, Três Lagoas, Alcinópolis, Caracol, Japorã, Laguna Carapã, Paranhos, Ponta Porã, Inocência e Paranaíba já alcançaram 99% de cobertura.
O plano de investimentos para 2026 prevê a implantação de mais de 480 quilômetros de novas redes de esgoto em 39 municípios, além da ampliação de 92 Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) e outras intervenções estruturais, reforçando o protagonismo do estado na transformação sanitária.
Os benefícios da universalização do saneamento se estendem a diversos setores. A redução de custos com saúde entre 2025 e 2040 está estimada em R$ 258,793 milhões. O incremento na produtividade é projetado em R$ 14,8 bilhões no mesmo período. O setor de turismo tem potencial para ganhar R$ 2,255 bilhões, enquanto a valorização imobiliária pode alcançar R$ 1,701 bilhão, impulsionados pela melhoria ambiental e da infraestrutura.
A longo prazo, após 2040, estima-se que o legado da universalização gere ganhos adicionais de R$ 18,795 bilhões, com custos de manutenção de R$ 12,145 bilhões, resultando em um saldo positivo consolidado de R$ 29,921 bilhões. Estes números consolidam o saneamento básico como um motor de desenvolvimento sustentável e duradouro para Mato Grosso do Sul.

