Modus Operandi Recorrente e Histórico dos Criminosos
Um golpe que explora a confiança e a vulnerabilidade de idosos, conhecido como golpe do bilhete premiado, voltou a assombrar Mato Grosso do Sul. Desta vez, o plano culminou em um sequestro relâmpago de uma servidora aposentada do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), em Campo Grande. A dupla responsável pela ação, com origem no Rio Grande do Sul, já demonstrou ser reincidente em crimes similares no estado, acumulando pelo menos três boletins de ocorrência registrados com o mesmo modo de operar.
Um dos indivíduos, com 35 anos, possuía um mandado de prisão em aberto e figurava em registros por estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. O outro, com 65 anos, também ostenta antecedentes por estelionato e falsificação de documentos. Esses registros indicam um padrão de atuação em crimes patrimoniais, demonstrando uma experiência prévia e intencional na execução de fraudes.
O Enredo do Golpe e o Sequestro Relâmpago
A vítima, abordada por indivíduos que se apresentavam como religiosos, foi convencida de que possuíam um bilhete premiado com valor milionário (R$ 8 milhões). Sob o pretexto de que, por serem religiosos, não poderiam resgatar o prêmio, os golpistas iniciaram uma negociação manipuladora. A confiança estabelecida permitiu que a idosa fosse levada à sua residência, onde retirou aproximadamente US$ 5.843 e mais R$ 12 mil em dinheiro, totalizando cerca de R$ 40 mil.
A articulação criminosa, no entanto, não parou por aí. Os suspeitos persuadiram a vítima a realizar um empréstimo bancário. Acompanharam-na até uma agência localizada no próprio TJMS. Foi neste momento que a idosa, diante das circunstâncias e das ações dos abordadores, começou a desconfiar e procurou ajuda de um policial militar que atuava na segurança do local.
Fuga Frustrada e Evidências da Atuação em MS
A tentativa de abordagem policial culminou em uma fuga desesperada. Com a servidora aposentada ainda dentro do veículo, a dupla acelerou, desobedecendo à ordem de parada. Um disparo efetuado pelo policial atingiu o carro, e pouco tempo depois, os criminosos pararam o veículo, abandonaram a vítima e empreenderam fuga para uma área de mata próxima ao Parque dos Poderes. A rápida ação policial e a colaboração da vítima foram cruciais para a interrupção do sequestro, apesar do prejuízo financeiro já sofrido.
A atuação de grupos criminosos oriundos de outros estados, com histórico de crimes em Mato Grosso do Sul, levanta questionamentos sobre a eficácia das medidas de segurança e inteligência para coibir a ação de quadrilhas especializadas em fraudes e roubos. A reincidência e a audácia na execução de golpes complexos, como o do bilhete premiado combinado com sequestro, exigem uma análise aprofundada das estratégias de prevenção e combate a esse tipo de criminalidade.

