Destaques:
- A avicultura de Mato Grosso do Sul experimenta um período de fortalecimento e expansão, impulsionada por políticas estaduais de incentivo fiscal e investimentos privados.
- O programa “Frango Vida” tem sido um pilar na modernização do setor, estabelecendo critérios ambientais, sanitários e trabalhistas para a concessão de benefícios fiscais.
- Grandes grupos avícolas já sinalizaram investimentos significativos na ampliação de suas plantas frigoríficas, com expectativa de aumento expressivo no abate de aves no estado.
Fortalecimento da Cadeia Produtiva
A avicultura em Mato Grosso do Sul demonstra sinais consistentes de crescimento e fortalecimento, impulsionada por um conjunto de políticas públicas voltadas para o aumento da competitividade do setor. Ações de apoio institucional em eventos técnicos, missões empresariais e iniciativas de sanidade animal, com foco na prevenção de doenças como a gripe aviária, têm contribuído para a consolidação da cadeia produtiva. O suporte a eventos específicos do setor, como o Encontro das Mulheres na Avicultura e a Festa do Frango no Rolete, além da participação em feiras nacionais, visa atrair novos investimentos e promover o intercâmbio de conhecimento.
Políticas de Incentivo e Financiamento
Instrumentos de incentivo econômico desempenham papel crucial na expansão da avicultura sul-mato-grossense. A redução da alíquota de ICMS sobre o consumo de energia elétrica pelo setor e a priorização em linhas de financiamento do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) são exemplos notáveis. Os dados revelam um volume considerável de recursos aprovados para o segmento: em 2024, foram R$ 235,9 milhões em investimentos distribuídos em 35 cartas-consulta. Em 2025, o montante foi de R$ 194,5 milhões com 26 cartas-consulta. Para 2026, já foram aprovados R$ 28,2 milhões em sete projetos.
Programa “Frango Vida” e seus Impactos
O Programa Frango Vida, instituído em 2022, tem sido fundamental para a modernização e o fortalecimento da avicultura estadual. O programa estabelece critérios ambientais, sanitários, tributários, trabalhistas e de associativismo para a concessão de incentivos fiscais a produtores integrados. Entre seus objetivos, destacam-se a atração de novas indústrias, o fortalecimento do cooperativismo, o estímulo à produção de energia alternativa nas propriedades rurais e a redução da exclusão de produtores por barreiras tecnológicas. Em 2025, o programa registrou 291 estabelecimentos cadastrados, cinco frigoríficos participantes e mais de 160 milhões de aves abatidas, gerando R$ 70,4 milhões em incentivos fiscais. Em 2026, o cenário mantém os 291 estabelecimentos e cinco frigoríficos, com mais de 57,2 milhões de aves abatidas e R$ 24,7 milhões em incentivos concedidos até o momento, mantendo um valor médio de R$ 0,41 por ave incentivada.
Expansão Industrial e Concentração Regional
A expectativa de incremento no abate de aves em Mato Grosso do Sul é significativa. Dois dos três principais grupos atuantes no estado, Bello e JBS, já indicaram planos de ampliação de suas plantas frigoríficas. A Bello prevê um aumento no abate em Aparecida do Taboado, enquanto o JBS estuda a elevação da capacidade de abate em Caarapó, de 60 mil para 90 mil aves diariamente. A concentração de granjas e indústrias cadastradas no programa “Frango Vida” evidencia a consolidação da região sul do estado como principal polo avícola, com destaque para municípios como Sidrolândia, Dourados, Itaquiraí, Fátima do Sul, Caarapó e Glória de Dourados. As indústrias beneficiadas pelo programa estão localizadas em Dourados, Caarapó, Sidrolândia, Aparecida do Taboado e Itaquiraí.
Benefícios e Melhorias no Campo
Os incentivos recebidos pelos produtores têm sido aplicados em diversas frentes, incluindo a implantação de sistemas de energia alternativa, melhorias na ambiência interna dos aviários, modernização de equipamentos de alimentação e ações voltadas à qualidade de vida no campo. A articulação entre associações regionais e o governo estadual tem sido fundamental na construção de planos de fortalecimento e na promoção de ações sanitárias e de expansão. O modelo de incentivo fiscal prevê um percentual básico de retorno do ICMS de 32% para os produtores que atendem aos critérios obrigatórios, com potencial de alcançar até 50% com o cumprimento de critérios adicionais, o que reforça o compromisso com a produtividade, sustentabilidade e segurança sanitária do setor.

