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Raridade científica e conservação: MS revela registro inédito de ave migratória durante a COP15

Mato Grosso do Sul consolidou sua posição estratégica na rota global de conservação ambiental durante o evento Conexão Sem Fronteiras, parte da programação da COP15 (Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres), realizada em Campo Grande. Em palestra sediada na Casa do Homem Pantaneiro, especialistas da Fundação de Turismo (Fundtur MS) e pesquisadores apresentaram o turismo de observação de aves não apenas como um produto econômico, mas como uma ferramenta vital para a preservação de espécies.

O grande destaque do encontro foi o anúncio de um achado científico extraordinário: o primeiro registro no estado da espécie Geothlypis agilis, conhecida como Mariquita-de-connecticut. A ave, que migra do Hemisfério Norte, possui áreas de invernada conhecidas na Amazônia e raramente é avistada em solo brasileiro — com apenas dois registros oficiais anteriores no país. A identificação ocorreu em uma área de Cerrado entre os municípios de Água Clara e Paraíso das Águas, marcando o ponto mais ao sul já documentado para a espécie no continente.

Para o ornitólogo e pesquisador Alyson Melo, o avistamento em território sul-mato-grossense amplia o conhecimento sobre as rotas migratórias e reforça a importância dos biomas locais como refúgios ecológicos. “Trata-se de uma descoberta que ganha relevância internacional no contexto da COP15, posicionando o Cerrado do estado como área potencial de uso por aves migratórias e território estratégico para estudos globais”, afirmou.

Além do aspecto científico, a Fundtur MS detalhou o projeto de estruturação do segmento de birdwatching. Segundo o diretor de Desenvolvimento, Geancarlo Merighi, a Fundação oferece suporte técnico aos municípios para que desenvolvam roteiros especializados. Edson Moroni, da Fundtur, ressaltou que os “hotspots” de observação — locais com alto índice de registros de espécies — são o resultado direto de parcerias de conservação entre o governo, o Imasul e pousadas pantaneiras.

A qualificação profissional também foi pauta central. A parceria com o Instituto Mamede para a formação de guias especializados busca preparar profissionais que unam o conhecimento técnico sobre as aves à excelência no atendimento ao turista. Para encerrar o debate, foi apresentado o projeto “Pantanal Jam – Sons do Pantanal”, que transforma o canto dos pássaros em música, servindo como plataforma de divulgação para instituições históricas como o Projeto Arara Azul, SOS Pantanal, Onçafari e o Instituto Homem Pantaneiro (IHP).

A programação da Casa do Homem Pantaneiro segue aberta ao público no Parque das Nações Indígenas até o dia 29 de março, com debates gratuitos e atividades culturais que conectam sustentabilidade, arte e turismo.

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