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Itamaraty Alerta sobre Risco de Ações Militares dos EUA no Brasil Após Classificação de Facções

Destaques:

  • Itamaraty emitiu alerta sobre risco de uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro.
  • A preocupação surge após a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas por parte dos EUA.
  • Classificação unilateral pode justificar ações extraterritoriais e impactar a soberania nacional, segundo o Itamaraty.

Brasília (DF), 01/07/2026 – O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) emitiu um alerta em resposta a requerimentos de informações de deputados federais, sinalizando o risco de ações militares dos Estados Unidos em território brasileiro. A preocupação decorre da recente classificação das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelas autoridades norte-americanas.

Em um dos documentos, datado de 1º de julho e assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em resposta a um requerimento do deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES), o alerta é explícito: “Há a possibilidade do uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro”. O texto ressalta que tal classificação pode gerar impactos relevantes para a economia e a soberania nacional, com a possibilidade de autoridades dos EUA aplicarem medidas administrativas e judiciais de caráter unilateral e extraterritorial contra pessoas, empresas e organizações brasileiras.

Em maio, os Estados Unidos designaram o PCC e o CV como organizações terroristas. Na semana seguinte, o Departamento do Tesouro americano sancionou duas pessoas e três empresas brasileiras sob a alegação de supostos vínculos com o PCC. Na resposta ao deputado Evair Vieira, o ministro reiterou que a classificação unilateral poderia ser utilizada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, especialmente nas esferas financeira, migratória e penal, além do potencial emprego da força militar.

Mauro Vieira destacou que não houve uma comunicação formal prévia por parte dos Estados Unidos ao Brasil sobre a intenção de classificar as facções criminosas brasileiras como terroristas. Ele avalia que essa medida não apresenta benefícios para a segurança dos países.

O chanceler já havia levantado a mesma preocupação em 29 de maio deste ano, em resposta a um requerimento similar do deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM). Na ocasião, Vieira afirmou que, “no plano estratégico e econômico, tal reclassificação tenderia a militarizar a agenda regional de combate ao crime organizado, elevar custos de compliance das empresas e do sistema financeiro nacional e penalizar atividades lícitas”.

O ministro ressaltou que, dada a amplitude dos termos utilizados na legislação antiterrorismo dos EUA, podem surgir sérias implicações para cidadãos brasileiros nas áreas financeira, migratória e penal, para além do potencial uso da força militar. Ele considera a medida como uma que afeta diretamente a soberania do Brasil. Além de não gerar benefícios concretos, a classificação das facções como terroristas pode prejudicar a cooperação entre as forças policiais dos dois países, ao criar uma “confusão” entre o crime organizado e o terrorismo, fenômenos distintos sob a legislação brasileira.

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