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Performance na UFMS Desafia o Silêncio Diante dos Feminicídios em Mato Grosso do Sul

  • Performance ‘Aqui Jaz’ busca transformar luto em debate público na UFMS.
  • Ação artística denuncia os altos índices de feminicídios e violência doméstica em Mato Grosso do Sul.
  • Iniciativa propõe reflexão sobre padrões de violência e a urgência de uma resposta social efetiva.

Nesta segunda-feira (1º), uma iniciativa artística de estudantes do curso de Artes Visuais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) busca romper o silêncio e provocar uma profunda reflexão sobre a escalada dos feminicídios e da violência doméstica no estado. A performance, intitulada “Aqui Jaz”, foi realizada no corredor central da universidade, a partir das 12h, utilizando a arte como ferramenta de denúncia e memória.

Os Números que Clamam por Atenção

A intervenção artística não se limita à expressão visual; ela é carregada por uma realidade brutal traduzida em números. Informações que acompanharam a divulgação da performance revelam que Mato Grosso do Sul registrou 13 feminicídios e 39 tentativas apenas em 2026, além de cerca de 8 mil casos de violência doméstica nos primeiros meses do ano. No cenário nacional, o Brasil contabilizou um recorde de 1.568 feminicídios em 2025. Esses dados, por si só, desenham um quadro alarmante, mas a análise dos padrões por trás deles revela cicatrizes ainda mais profundas na estrutura social.

O perfil das vítimas é um ponto crucial destacado pela iniciativa: a maioria das mulheres assassinadas é jovem, com idade entre 18 e 29 anos, e a fatalidade ocorre predominantemente dentro do ambiente doméstico. Este padrão não apenas evidencia a vulnerabilidade das mulheres em seus próprios lares, mas também questiona a eficácia das redes de proteção e a persistência de um ciclo de violência que se perpetua. A frase que sintetiza o grito da performance — “Acaba de acontecer mais um — está acontecendo — vai acontecer — não podemos esquecer — não conseguimos esquecer — nunca iremos aceitar — BASTA!” — ecoa a urgência e a exaustão diante da repetição de uma tragédia.

Para Além da Arte: A Urgência do Debate Social

A performance “Aqui Jaz” é mais do que uma manifestação artística; é um convite direto à sociedade sul-mato-grossense para confrontar uma realidade incômoda e persistente. Ela força a questionar: o que estamos falhando em fazer como comunidade e como instituições para proteger a vida das mulheres? Por que, mesmo com o aumento da visibilidade e de leis específicas, os índices de violência continuam a crescer ou a se manter em patamares tão elevados?

A universidade, como espaço de formação e pensamento crítico, torna-se palco essencial para este debate. A iniciativa dos estudantes de Artes Visuais transcende os muros acadêmicos, impulsionando a necessidade de uma análise mais profunda das raízes culturais e sociais que sustentam a violência de gênero. É um lembrete contundente de que a luta contra o feminicídio não se restringe à esfera policial ou jurídica, mas exige uma transformação cultural, educacional e de comportamento, onde a empatia e o respeito à vida de todas as mulheres sejam valores inegociáveis. O desafio, agora, é transformar a emoção e a reflexão provocadas pela arte em ações concretas e em um engajamento contínuo de toda a sociedade do Mato Grosso do Sul.

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