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Doação de Órgãos: Três Lagoas Acelera Salvação de Vidas e Reduz Filas em MS

Destaques:

  • Hospital Regional de Três Lagoas alcançou 50% do total de captações de órgãos do ano anterior em apenas dois meses de 2026.
  • Duas captações recentes, de fevereiro, envolveram doadores de 32 e 53 anos, com rins destinados a pacientes na fila de espera.
  • A unidade soma seis captações desde a implantação do serviço em maio de 2025, evidenciando o avanço na região.

Gestos de generosidade estão encurtando distâncias entre a perda e a esperança em Mato Grosso do Sul. O Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé, em Três Lagoas, realizou duas captações de órgãos neste ano. Este número já representa metade de todas as captações efetuadas no ano passado, fortalecendo a atuação da unidade e ampliando o impacto na fila de transplantes estadual.

Desde a implantação do serviço, em maio de 2025, o hospital acumula seis captações de órgãos. Em 2025, foram quatro procedimentos ao longo de oito meses. Já em 2026, duas ocorrências foram registradas, nos dias 17 e 25 de fevereiro. Os doadores eram um homem de 32 anos e uma mulher de 53 anos, ambos da região da Costa Leste. Em ambos os casos, rins foram captados e destinados a pacientes que aguardavam na fila por transplante em Mato Grosso do Sul.

O processo de captação de órgãos envolve uma complexa articulação entre equipes hospitalares e a Central Estadual de Transplantes de Mato Grosso do Sul (CET/MS). A dinâmica da doação começa com a notificação da morte pela equipe hospitalar, que encaminha a informação para a Organização de Procura de Órgãos (OPO) e, posteriormente, para a CET/MS, responsável por coordenar todo o processo. Após a autorização familiar, são realizadas avaliações até a captação.

A agilidade e a integração entre as equipes são cruciais para o sucesso dos transplantes. O apoio logístico, incluindo transporte aéreo, é fundamental para reduzir o tempo e aumentar a viabilidade dos órgãos. O trabalho conjunto entre as diversas esferas é decisivo para salvar vidas.

Entre a chegada da equipe da Central de Transplantes e o retorno para Campo Grande, todo o processo leva, em média, cerca de quatro horas. Este período engloba o deslocamento até Três Lagoas, a realização da cirurgia de captação e o retorno ao hospital onde o transplante ocorrerá. Nesse intervalo, o paciente receptor já está preparado, tornando a eficiência e a agilidade etapas determinantes para o êxito do procedimento.

Observa-se um protagonismo crescente do interior do estado neste cenário. Foi a segunda vez em menos de dez dias que a equipe veio a Três Lagoas, uma surpresa positiva. Hospitais do interior têm se destacado cada vez mais na notificação e efetivação de doadores, ampliando as chances de atendimento aos pacientes em fila de espera.

Além de salvar vidas, o Hospital Regional atua na formação prática de estudantes da área da saúde. Uma estudante de medicina da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Campus Três Lagoas, participou da segunda captação, auxiliando na instrumentação cirúrgica. A experiência foi descrita como ímpar, com oportunidade de acompanhar e participar ativamente da cirurgia. O hospital é apresentado como um ambiente acolhedor e aberto ao ensino, proporcionando aprendizado prático e troca de experiências com profissionais que incentivam o desenvolvimento dos estudantes.

A vivência despertou ainda mais o interesse pela área cirúrgica e pela atuação em transplantes, com a estudante planejando seguir carreira na área. Um convite para contribuir com a equipe de captação após a formatura reforça a qualidade da formação oferecida.

O trabalho no hospital é coordenado pela Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT), responsável por identificar potenciais doadores, acolher famílias e garantir a ética e segurança do processo. Em busca de qualificação e ampliação do serviço, a presidente da e-DOT participou de treinamento para enucleação ocular, habilitando profissionais para a remoção cirúrgica do globo ocular para doação de córneas. Em breve, o Hospital estará apto a realizar a captação de córneas na própria unidade, expandindo o alcance do serviço.

Uma palestra sobre “Captação, Doação e Transplantes de Órgãos e Tecidos” foi realizada para todos os colaboradores da unidade, reforçando a importância da qualificação contínua das equipes. O sucesso desse processo é resultado de um trabalho coletivo, que começa antes do centro cirúrgico, envolvendo acolhimento às famílias, respeito às decisões e rigor técnico.

Com o aumento no número de captações, a conscientização sobre a doação de órgãos ganha ainda mais relevância. No Brasil, a autorização familiar é indispensável. A principal orientação para quem deseja ser um doador é comunicar à família a vontade de fazer a diferença e transformar vidas através da doação de órgãos.

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