Destaques:
- Seca extrema e El Niño intensificam risco de incêndios no Pantanal.
- Previsão indica calor acima da média e chuvas irregulares no Mato Grosso do Sul.
- Corporação de Bombeiros monitora e planeja resposta a possíveis focos de fogo.
Focos de fogo no inverno já acendem um alerta para o Pantanal. A região pode enfrentar uma nova temporada crítica de incêndios. Atualmente, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) afirma que não há situação extraordinária. O risco maior, no entanto, está nos próximos meses. A previsão aponta calor acima da média, chuvas irregulares e a intensificação do fenômeno El Niño.
Em junho, os bombeiros atenderam 23 ocorrências de incêndio em vegetação no Pantanal de MS. O aumento em relação a junho do ano anterior foi de 770,7% na área queimada. Apesar disso, a corporação considera os registros dentro do comportamento esperado para o período. A presença de água na planície pantaneira ainda ajuda a limitar o avanço do fogo. O Rio Paraguai, embora em nível inferior ao de 2025, apresenta uma situação consideravelmente melhor que em 2024, ano marcado por seca severa e grandes incêndios. Naquele ano, 27,1 mil km² do Pantanal foram queimados.
No momento, a água disponível ajuda a evitar um quadro semelhante ao de 2024. Contudo, as condições podem mudar com o avanço da estação seca e a perda de umidade pela vegetação. O fenômeno El Niño pode trazer ondas de calor e tempo seco fora de época, intensificando os efeitos de queimadas.
O alerta surge em nota técnica do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec). O órgão aponta chuvas irregulares em Mato Grosso do Sul nos primeiros quatro meses do ano. Nove municípios tiveram precipitação acima da média climatológica, e dez ficaram abaixo do volume histórico. A distribuição desigual ocorreu, mas houve melhora nas condições de seca. Em abril, a maior parte do Estado não teve estiagem. As regiões noroeste, leste e nordeste registraram seca de fraca a moderada. Comparado a abril de 2025, o Estado recebeu mais chuva e a seca diminuiu.
Na porção norte do Rio Paraguai, perto da divisa com Mato Grosso e Bolívia, as águas começaram a baixar lentamente. Mais ao sul, o nível continua subindo. Chuvas fora de época na Bacia do Rio Miranda também abasteceram parte da planície ao sul. A expectativa é de mais água e menos território para o fogo. Comparativamente, há menos água que em 2025, mas muito mais que em 2024.
No entanto, o cenário favorável no início do ano não afasta o perigo. A previsão de julho a agosto indica temperaturas acima da média histórica e distribuição irregular das chuvas, segundo o Cemtec. O comportamento das chuvas será decisivo no segundo semestre. Levantamento do Cemtec entre 2001 e 2025 mostra uma relação inversa entre o volume de precipitação e a ocorrência de incêndios. Anos com chuva abaixo da média tendem a registrar aumento expressivo dos focos de calor. A falta de água reduz a umidade do solo e da vegetação, tornando-os mais suscetíveis à ignição e à rápida propagação das chamas.
Grande parte de Mato Grosso do Sul aparece nos níveis de “Atenção” (risco moderado) e “Alerta” (risco alto) na previsão sazonal de perigo de incêndios. Isso recomenda o início de ações preventivas e a mobilização de equipes.
Modelos climáticos analisados pelo Cemtec indicam alta probabilidade de desenvolvimento do El Niño entre junho e agosto. De julho a setembro, a possibilidade de o fenômeno ser fraco a moderado aumenta. Entre setembro e dezembro, cresce a chance de um El Niño forte ou muito forte.
Com o El Niño, a previsão é de chuvas acima da média para o Centro-Oeste. A questão é se elas alcançarão de forma consistente a Bacia do Rio Paraguai. Episódios fortes do El Niño, registrados entre 2019-2020 e 2023-2024, coincidiram com secas e incêndios no bioma. Para os próximos meses, a probabilidade alta é de temperaturas acima da média.
Se não chover de forma consistente, pode haver condições propícias ao fogo. Na parte final do ano, a previsão é de um “Super El Niño”, com potencial para fogo fora de época, como em 2023.
Diante da possibilidade de agravamento, o Corpo de Bombeiros afirma que mantém o monitoramento da região pantaneira e o planejamento para ampliar a resposta, caso as ocorrências aumentem. A expectativa é de aumento do risco de incêndios florestais, em razão da intensificação dos efeitos do El Niño. A corporação mantém o monitoramento constante e o planejamento operacional para responder de forma rápida e eficiente às ocorrências.

