Destaques:
- Joatan Gomes Peixoto, ex-sócio-administrador da Editora Avante, teve a prisão preventiva substituída por prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica.
- A medida cautelar, com duração de 180 dias, atende a pedidos relacionados a condições de saúde e familiares do investigado.
- O empresário é parte da Operação Gutenberg, que apura um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro em contratos públicos que ultrapassam R$ 27 milhões para a aquisição de livros paradidáticos.
A Justiça determinou a substituição da prisão preventiva de Joatan Gomes Peixoto, ex-sócio-administrador da Editora Avante, por prisão domiciliar, com a imposição do uso de tornozeleira eletrônica. A decisão estabelece um período de monitoramento eletrônico de 180 dias, além de outras medidas cautelares, mantendo o investigado em sua residência sob vigilância. A alteração da modalidade prisional foi motivada, segundo a defesa, por questões como a idade do réu, a condição de filha especial e o estado de saúde grave da esposa.
Joatan Gomes Peixoto foi detido durante a deflagração da Operação Gutenberg, ação coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) em 7 de julho. A operação abrangeu ações em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás, com o cumprimento de 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão.
As investigações centram-se em um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 27 milhões em contratos públicos destinados à compra de livros paradidáticos. A apuração do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) aponta que Joatan, apesar de figurar como sócio-administrador da Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços Editoriais Ltda. (nome empresarial da Editora Avante), e de aparecer como responsável em contratos com municípios, não detinha autonomia administrativa ou financeira para as decisões da empresa. Segundo o Gaeco, o controle efetivo da editora seria exercido por outro grupo.
Análises financeiras decorrentes da quebra de sigilo bancário indicaram recebimentos de Joatan na ordem de R$ 521.360,91 provenientes da editora, e transferências no valor de R$ 307.160 para a empresa, sem que uma justificativa comercial conclusiva tenha sido apresentada para toda a circulação de valores. Adicionalmente, o filho de Joatan, Matheus Oliveira Peixoto, também é investigado por ter recebido R$ 121,5 mil da editora entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023, sem vínculo formal aparente com a companhia. Matheus figurava como responsável por um centro automotivo, mas diligências no endereço cadastrado revelaram uma residência sem indícios de funcionamento da empresa.
O inquérito da Operação Gutenberg ainda está em fase de conclusão, e as responsabilidades de Joatan e dos demais investigados permanecem em análise pelas autoridades competentes.

