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Prisão de ex-parlamentar: o que a perda do foro e o “risco à ordem pública” revelam sobre o crime organizado em MS?

Contexto da Prisão: Mandato Cassado e Risco à Ordem Pública

A prisão preventiva de Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno, figura central na Operação Successione, foi determinada por um juiz da 4ª Vara Criminal de Campo Grande. A decisão, que visa a segregação cautelar do ex-parlamentar, está intrinsecamente ligada à perda de seu mandato legislativo em maio deste ano. É importante ressaltar que esta ordem judicial não se insere no processo no qual o indivíduo já foi condenado em primeira instância por envolvimento com organização criminosa e exploração de jogos de azar. Trata-se de uma nova ação penal, também oriunda da Operação Successione.

Até a cassação de suas prerrogativas parlamentares, Razuk beneficiava-se do foro privilegiado. Com a vacância de sua cadeira na Assembleia Legislativa, esse obstáculo processual foi removido, abrindo caminho para a determinação judicial. A justificativa para a prisão baseia-se na existência de requisitos para a segregação cautelar, notadamente o risco à ordem pública. O Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) aponta o ex-parlamentar como uma liderança na organização criminosa investigada.

As investigações indicam que o grupo criminoso teria mantido suas atividades, o que, na ótica judicial, justifica a medida para interromper a suposta continuidade das práticas ilícitas e assegurar a instrução processual, garantindo a efetiva aplicação da justiça. A ordem de prisão foi expedida em um momento em que o magistrado responsável iniciou seu período de férias, conforme escala oficial, com retorno previsto para o dia 20 do corrente mês.

Operação Successione: Desdobramentos e a Estrutura do Crime Organizado em MS

A Operação Successione tem como alvo principal o combate a crimes que incluem organização criminosa, roubo, corrupção, lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar. Na quarta fase da operação, realizada em novembro de 2025, foram detidos Roberto Razuk, seu pai, Jorge Razuk Neto, e o irmão, Rafael Godoy Razuk. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) aponta este trio como o núcleo central da estrutura criminosa.

As diligências resultaram na apreensão de expressivo volume de materiais, como mais de 700 máquinas de apostas, armamentos, munições e uma quantia superior a R$ 270 mil em espécie. Análises financeiras também revelaram indícios de aquisição de bens móveis e imóveis em nome de terceiros, uma estratégia para a ocultação da origem ilícita dos recursos. A primeira etapa da operação teve início em dezembro de 2023, motivada por disputas relacionadas à exploração do jogo do bicho na capital.

O Cumprimento do Mandado e o Silêncio das Instâncias de Segurança

Questões sobre o cumprimento do mandado de prisão e a eventual caracterização de foragido, caso Roberto Razuk Filho não se apresente, foram direcionadas ao Gaeco, à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), à Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS) e à Polícia Civil. Até o momento do fechamento desta matéria, não houve retorno formal dessas instituições. A atribuição formal para o cumprimento de ordens de prisão recai sobre a Polícia Civil. A Polícia Militar, embora não seja responsável pela busca ativa, tem o dever de efetuar a prisão caso o ex-deputado seja encontrado em qualquer abordagem.

Em manifestação anterior, a defesa do ex-parlamentar alegou não ter tido acesso à decisão judicial e desconhecia o paradeiro de seu cliente. A comunicação oficial da defesa indicou a necessidade de acesso ao mandado antes de qualquer pronunciamento formal sobre o caso.

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