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Tensão em Sidrolândia: Demarcação de Terra Indígena Divide Lideranças Terenas e Gera Embate Político com PT

Um impasse na Fazenda São Sebastião, em Sidrolândia, a 71 quilômetros de Campo Grande, reacendeu o debate sobre a demarcação da Terra Indígena Buriti. A situação expõe profundas divergências entre lideranças terenas de Mato Grosso do Sul.

Enquanto um grupo defende a ação como forma legítima de pressionar o governo federal pela conclusão do processo demarcatório, outro afirma que a mobilização ocorreu sem consulta à maioria das aldeias envolvidas na disputa territorial.

Destaques:

  • Conflito na Fazenda São Sebastião, Sidrolândia, reacende debate sobre a Terra Indígena Buriti.
  • Lideranças terenas e deputados do PT divergem sobre a forma e legitimidade da mobilização.
  • Conselho do Povo Terena contesta o PT, defende autonomia indígena e prioriza a pauta territorial.

O conflito começou no domingo (14) e houve nova movimentação de indígenas na manhã desta segunda-feira (15). A comunidade havia deixado o local após mediação, mas retornou. A Polícia Militar (PM) enviou equipes à região para verificar a situação e informou ter atuado para conter invasões, vandalismo e crimes ambientais.

Durante a ação, a corporação registrou danos a maquinários agrícolas, furto de insumos, focos de incêndio e derrubada de árvores usadas como barricadas. Equipes do Batalhão de Choque, Batalhão Rodoviário e Batalhão Rural permanecem na região, e as informações coletadas serão encaminhadas à Polícia Civil para investigação.

Deputados do PT e Parte das Lideranças Contestam Ação

Diante da repercussão do caso, o deputado federal Vander Loubet (PT) e o deputado estadual José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, reuniram-se na tarde de segunda-feira (15) com caciques e lideranças indígenas de Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti.

Antes do encontro, Zeca divulgou nota afirmando que nenhuma outra liderança da região teria conhecimento prévio da ocupação. O parlamentar atribuiu a mobilização ao cacique Rodrigues Alcântara, secretário de Assuntos Indígenas da Prefeitura de Dois Irmãos do Buriti, e disse que ele integra um grupo alinhado politicamente a lideranças da direita sul-mato-grossense.

Vander Loubet também expressou estranhamento com a ação, indicando que as informações preliminares apontavam para um ‘episódio isolado’. O deputado afirmou que o PT tem uma posição firme contra ocupações, privilegiando o diálogo, e que defenderá punição caso lideranças do partido sejam identificadas na ação.

Após a reunião, o PT divulgou nota apontando que nove caciques e lideranças das aldeias Novo Buriti, Água Azul, André, 1º de Maio, Barreirinho, Lago Azul, Olho d’Água e Recanto declararam não ter participado da articulação nem terem sido consultados.

O grupo reafirmou apoio à demarcação da Terra Indígena Buriti, mas criticou a condução da ação, classificando-a como isolada. As lideranças, ainda segundo o partido, repudiaram atos de depredação registrados nas fazendas São Sebastião e Água Clara.

Conselho do Povo Terena Rebate Críticas do PT

A versão apresentada pelo PT foi contestada pelo Conselho do Povo Terena. Em nota divulgada nesta segunda-feira, a entidade repudiou declarações de Zeca do PT e manifestou apoio ao cacique Rodrigues Alcântara.

O documento do Conselho destaca que a discussão central não deve ser reduzida a uma disputa entre direita e esquerda, mas sim à garantia dos direitos territoriais indígenas. O conselho classificou as críticas como uma ‘tentativa de instrumentalização política das comunidades indígenas para fins eleitorais’, reafirmando que ‘o povo Terena possui autonomia política e não admite ser tratado como massa de manobra por qualquer grupo ou partido’.

O coordenador do Conselho do Povo Terena, Célio Fialho, afirmou que a entidade tinha conhecimento da iniciativa desde o início. Ele reforçou que a ação foi uma iniciativa da própria população, motivada pela paralisação do processo demarcatório, apesar de a área já ter sido identificada e contar com portaria declaratória.

Fialho ainda argumentou que não há necessidade de consultar previamente todas as aldeias da região, pois a decisão de uma aldeia não exige a ciência ou participação das demais. Ele também rebateu a associação da mobilização a grupos políticos, enfatizando que ‘essa mobilização não tem relação com política partidária. Esse é um direito nosso garantido pela Constituição de 1988’.

O coordenador criticou a postura do PT estadual, acusando o partido de tentar transformar uma pauta territorial em disputa eleitoral. Ele afirmou que ‘o PT de Mato Grosso do Sul não tem legitimidade para falar em nosso nome’.

Célio Fialho expressou gratidão ao governo Lula pela criação do Ministério dos Povos Indígenas e pela garantia de autonomia para a luta por direitos indígenas, citando o ministro Eloy Terena como um representante legítimo que conhece e participou da luta do povo Terena.

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