Volume em Alta: A Hidrovia do Paraguai em Números
A Hidrovia do Rio Paraguai demonstrou um crescimento robusto na movimentação de carga em Mato Grosso do Sul. No período de janeiro a maio de 2026, um aumento de 34,18% foi registrado em comparação com o mesmo intervalo de 2025. O volume total saltou de 3,054 milhões de toneladas para 4,098 milhões de toneladas, considerando as operações nos terminais de Corumbá e Porto Murtinho.
Esse expressivo avanço é impulsionado principalmente pelas exportações via Corumbá, que experimentaram um crescimento de 46,88%. O volume embarcado por este terminal aumentou de 2,757 milhões para 4,050 milhões de toneladas. O protagonista dessa movimentação é o minério de ferro, respondendo por 97,49% do total, com 3,948 milhões de toneladas. Outros produtos como manganês (2,44%) e ferro-gusa (0,06%) compõem a pauta, enquanto motores para embarcação aparecem com uma participação mínima.
Em contrapartida, o terminal de Porto Murtinho enfrentou uma retração significativa. O volume de exportações por esta localidade caiu 83,83%, passando de 296,780 mil toneladas para 47,982 mil toneladas. O único produto embarcado foi a soja em grãos.
Receita em Queda Livre: O Contraste Financeiro da Hidrovia
Apesar do expressivo aumento no volume de carga, o cenário financeiro da Hidrovia do Rio Paraguai em Mato Grosso do Sul apresenta um quadro preocupante. A receita obtida com os embarques internacionais registrou uma queda acentuada em ambas as praças de embarque.
Em Corumbá, o faturamento com exportações recuou 43,89%, passando de US$ 151,567 milhões para US$ 85,040 milhões. O terminal de Porto Murtinho sofreu uma redução ainda mais drástica em sua receita, com uma queda de 82,71%, caindo de US$ 107,521 milhões para US$ 18,594 milhões.
No consolidado das duas localidades, a receita total das exportações pela hidrovia encolheu 60,76%, apresentando um faturamento de US$ 103,634 milhões em 2026, ante US$ 259,088 milhões em 2025. Este contraste entre o aumento do volume e a queda da receita levanta questionamentos importantes sobre a sustentabilidade e a rentabilidade da operação.
O descompasso entre o crescimento da movimentação de carga e a diminuição do faturamento é amplamente explicado pela desvalorização das commodities minerais no mercado internacional. O minério de ferro, principal produto exportado, enfrentou quedas de preços contínuas ao longo de 2025 e no início de 2026. Essa conjuntura internacional impacta diretamente o valor obtido com as exportações, mesmo diante de um volume maior de embarques, gerando um cenário de maior volume físico, mas menor retorno financeiro para o estado.

