A deputada estadual Gleice Jane (PT) expressou forte preocupação com a preservação do Pantanal e as condições de vida das comunidades pantaneiras. Após visitar Corumbá, Ladário e regiões próximas ao Passo do Lontra, a parlamentar recebeu relatos de insegurança dos moradores diante do período de seca e de impactos ambientais. Ela anunciou a apresentação de requerimentos ao Governo do Estado para obter detalhes sobre ações ambientais, fiscalização e os efeitos de normas aplicadas na região.
Destaques:
- Deputada Gleice Jane esteve em áreas críticas do Pantanal e ouviu queixas de moradores.
- Questões como seca, desmatamento, monoculturas e mineração são apontadas como ameaças.
- Regulamentação de pesca e atividades econômicas gera dúvidas e exige fiscalização clara.
Preocupações com o Meio Ambiente e Comunidades
Gleice Jane ressaltou que a visita reforçou suas preocupações, que já haviam sido evidenciadas após os incêndios de 2024. A parlamentar destacou que, além das perdas ambientais, as pessoas que vivem no Pantanal também sofrem com a fumaça e a destruição. Ao dialogar com ribeirinhos, pescadores e trabalhadores do turismo, ela ouviu relatos sobre o futuro incerto da região, a escassez de água e os efeitos de atividades econômicas.
Modelo de Desenvolvimento e Impactos
A deputada apontou que os desafios do Pantanal vão além dos incêndios. A escassez hídrica e as alterações ambientais causadas por diferentes setores econômicos, como desmatamento, expansão de monoculturas e o impacto sobre nascentes e rios, foram temas de alerta. Gleice Jane também mencionou a situação da comunidade Antônio Maria Coelho, em Corumbá, onde moradores relataram dificuldades de acesso à água potável e possíveis problemas de saúde e ambientais ligados à mineração.
A parlamentar enfatizou a necessidade de um debate sério sobre a contaminação por agrotóxicos e seus reflexos nos recursos naturais e na qualidade de vida da população, afirmando: “Precisamos discutir com seriedade o que está acontecendo com o nosso meio ambiente, porque nós também somos parte dele”.
Regras de Uso e Fiscalização
Outro ponto de atenção foi o Decreto Estadual nº 15.908, de março de 2022, que ajustou normas de ocupação e uso do solo e da água na Zona de Amortecimento do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro. A medida, que inclui o sistema de pesca “pesque e solte” em trechos específicos, gerou dúvidas entre moradores e trabalhadores locais. Gleice Jane questionou a aparente diferença de tratamento entre o turismo de pesque e solte e outras práticas tradicionais.
“Por que o turismo de pesque e solte pode tudo e outras práticas não podem? Se existe uma regra de preservação, ela precisa valer para todos”, declarou a deputada.
Em resposta, ela apresentou requerimentos ao Governo do Estado solicitando esclarecimentos sobre a fiscalização, os critérios de avaliação de impactos antes da implementação das medidas e a situação da comunidade Antônio Maria Coelho. Gleice Jane defende que políticas de preservação considerem a vida das populações que habitam o Pantanal, concluindo: “Não podemos construir um modelo de desenvolvimento que deixe de lado a vida das pessoas e das famílias que fazem parte desse território”.

