Integração Sanitária na Fronteira
Autoridades de saúde do Brasil, com a participação de representantes de Mato Grosso do Sul e Paraná, reuniram-se em Assunção, Paraguai, para discutir o fortalecimento da vigilância epidemiológica e a resposta a emergências em saúde pública nas regiões de fronteira. O encontro binacional visou ampliar a integração das ações sanitárias, abordando a criação de protocolos para compartilhamento de dados, interoperabilidade de sistemas de informação e o desenvolvimento de um calendário vacinal unificado para municípios que compartilham divisas.
A iniciativa, promovida pelo Ministério da Saúde Pública e Bem-Estar Social do Paraguai, contou com a presença de delegações dos ministérios da Saúde de ambos os países, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), além da Secretaria de Saúde do Paraná. A Secretária-adjunta de Saúde de Mato Grosso do Sul participou das discussões, que se concentraram no aprimoramento da vigilância em saúde em áreas de intensa circulação de pessoas, mercadorias e veículos.
Propostas e Avanços para Monitoramento Conjunto
A agenda faz parte do projeto “Monitoramento para Vigilância em Saúde na Fronteira Brasil–Paraguai”, uma iniciativa colaborativa para intensificar a capacidade de resposta a emergências sanitárias e fortalecer o monitoramento epidemiológico nas áreas de fronteira. Dentre as propostas discutidas, destacam-se o estabelecimento de mecanismos conjuntos de monitoramento, com compartilhamento estratégico de informações epidemiológicas e o uso de ferramentas tecnológicas para a identificação ágil de riscos e a coordenação de respostas a possíveis emergências sanitárias. A agenda também incluiu a discussão de ações de capacitação de profissionais, protocolos de comunicação e notificação de doenças, e o fortalecimento da infraestrutura sanitária local.
Durante o encontro, foram apresentadas ferramentas de monitoramento vacinal e visualização de dados utilizadas no Paraguai para o acompanhamento das coberturas vacinais, com ênfase no sarampo, doença que tem demandado esforços conjuntos diante do cenário epidemiológico internacional. A cooperação entre os países foi considerada fundamental para garantir respostas mais rápidas e eficientes aos desafios sanitários transfronteiriços, pois riscos epidemiológicos não respeitam divisas territoriais. A integração de sistemas de informação e a harmonização de estratégias de imunização foram apontadas como cruciais para a proteção da população em territórios de intensa circulação.
A cooperação técnica entre Paraná, Mato Grosso do Sul e Paraguai tem sido ampliada, com apoio de organizações internacionais e conselhos de saúde. Avanços anteriores incluem o mapeamento de estabelecimentos de saúde em áreas de fronteira, a articulação para cooperação bilateral no âmbito do Mercosul e a realização conjunta de campanhas de vacinação, como a Semana de Vacinação nas Américas.

