Um Novo Horizonte para as Rodovias Sul-Mato-Grossenses
O Mato Grosso do Sul dá os primeiros passos em uma nova era para sua malha rodoviária com o lançamento do programa Rodar MS. A iniciativa, impulsionada pela contratação de crédito junto ao Banco Mundial (BIRD), promete a renovação de aproximadamente mil quilômetros de estradas, com o objetivo de otimizar a trafegabilidade e, simultaneamente, reduzir custos operacionais. A expectativa é que a adoção de um modelo de gestão de infraestrutura mais eficiente possa gerar uma economia de até 38% em comparação aos sistemas atuais de manutenção rodoviária. Para além dos cofres públicos, essa melhoria visa impactar diretamente o setor privado e a população, com projeções de uma redução de até quatro vezes nos custos operacionais de veículos de carga.
O Modelo Inovador: Crema e a Responsabilidade Integrada
O cerne do Rodar MS reside na adoção do modelo Crema (Contrato de Restauração e Manutenção de Rodovias). Esta abordagem transfere para a empresa contratada a responsabilidade de desenvolver o projeto executivo a partir de um projeto básico. A Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) supervisiona a aprovação, e subsequentemente, a empresa executa a restauração inicial. A lógica por trás do Crema é clara: a qualidade da restauração inicial é diretamente proporcional à diminuição dos custos de manutenção a longo prazo. Ao incentivar um projeto e execução de excelência, busca-se garantir a durabilidade e a resiliência da infraestrutura, evitando gastos recorrentes e emergenciais.
O modelo Crema se desdobra em duas vertentes: DBM (Design, Build, Maintain) e PPP (Parceria Público-Privada). Na modalidade DBM, o contrato abrange 730,3 km de rodovias, incluindo eixos principais e travessias urbanas. A duração prevista é de 10 anos, com pagamentos atrelados ao cumprimento de indicadores de desempenho, atestando a qualidade dos serviços prestados. A vertente PPP, com um horizonte de 30 anos, será aplicada em trechos específicos no Bolsão, como nas rodovias MS-377 e MS-240, impactando municípios como Água Clara, Inocência e Paranaíba. A meta é assegurar a manutenção em boas condições de tráfego e segurança nesses extensos trechos rodoviários.
Um Investimento com Foco Social e Econômico
O Rodar MS representa um investimento considerável, estimado em US$ 250 milhões (aproximadamente R$ 1,25 bilhão na cotação atual), sendo US$ 200 milhões provenientes do Banco Mundial e US$ 50 milhões como contrapartida estadual. Este montante será distribuído em 22 municípios, com concentração de 18 deles na região leste e quatro no Bolsão. As intervenções não se limitam à malha rodoviária principal; o programa também prevê ações em prol da segurança viária e acessibilidade em 24 escolas públicas. Essas intervenções visam reduzir riscos de sinistros nas proximidades de unidades de ensino, protegendo estudantes, professores e a comunidade escolar, além de promover a inclusão e a acessibilidade para pedestres e ciclistas. Um diagnóstico técnico prévio guiará a alocação de recursos, priorizando áreas de maior criticidade para a criação de ambientes escolares mais seguros e propícios ao desenvolvimento.
Como este modelo de gestão de infraestrutura, que delega a responsabilidade e o risco para o setor privado por longos períodos, se consolidará em Mato Grosso do Sul? Quais serão os mecanismos de fiscalização para garantir que os indicadores de desempenho sejam rigorosamente cumpridos, e que a promessa de menor custo e maior segurança se traduza em benefícios reais e duradouros para os cidadãos e para a economia do estado? A longevidade e a eficácia do Rodar MS dependerão, em grande medida, da transparência e da capacidade de gestão na execução deste ambicioso plano de renovação rodoviária.

