Acolhimento Linguístico e Cultural: Uma Missão em Mato Grosso do Sul
A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) inicia um novo ciclo de acolhimento ao lançar o processo seletivo para voluntários dedicados ao ensino de português para migrantes internacionais. Esta iniciativa, que integra o Curso de Português para Migrantes Internacionais e o módulo PLAc (Português como Língua de Acolhimento) do programa UEMS Acolhe, representa um esforço significativo para facilitar a inserção social e profissional de indivíduos em situação de vulnerabilidade no estado.
Perfil e Requisitos para o Voluntariado
A seleção para voluntários não impõe barreiras de formação específica, dispensando a necessidade de graduação em Letras ou pedagogia em língua portuguesa. O período de inscrição se estende de 27 de julho a 9 de agosto, com o início das atividades previsto para 21 de agosto. A dedicação é inteiramente voluntária, porém, a participação ativa, com no mínimo 75% de frequência, será certificada, reconhecendo o empenho dos colaboradores. Uma capacitação online obrigatória será ministrada aos selecionados, equipando-os com ferramentas teóricas e práticas essenciais para a condução das aulas.
Abrangência e Foco Geográfico da Iniciativa
O alcance do programa UEMS Acolhe se estende por oito municípios de Mato Grosso do Sul: Campo Grande, Dourados, Ponta Porã, Nova Andradina, Cassilândia, Sidrolândia, Naviraí e Corumbá. Contudo, a presente seleção de voluntários concentrará suas necessidades em Dourados, Ponta Porã, Corumbá e Nova Andradina, cidades que demandam maior suporte para o ensino do idioma.
O Impacto Transformador do UEMS Acolhe
O módulo de ensino de português, com uma carga horária total de 60 horas-aula, vai além da instrução linguística. Abrange também atividades de mediação cultural e suporte comunitário, direcionadas a refugiados, apátridas e migrantes em situação de vulnerabilidade. A diversidade de áreas de conhecimento representadas na equipe do projeto – Letras, Pedagogia, Enfermagem, Direito, Administração, Economia, Medicina Veterinária, Turismo, Geografia e História – reflete a abordagem multidisciplinar e integral do programa.
Histórico e Evolução do Programa
Desde sua concepção em 2017, o UEMS Acolhe tem demonstrado um impacto expressivo, atendendo mais de cinco mil migrantes. Em 2025, a iniciativa contou com 237 voluntários e formou 575 alunos. As ações desenvolvidas incluem cursos de português, oficinas de integração, apoio humanitário, formação de agentes de acolhimento e projetos binacionais, com extensões até mesmo na Bolívia. Em 2024, o programa ampliou seu escopo ao integrar o auxílio à regularização migratória, oferecendo suporte na obtenção e renovação do Registro Nacional Migratório (RNM) e do Cadastro de Pessoa Física (CPF). Este esforço conjunto visa mitigar as barreiras linguísticas e documentais enfrentadas pela população migrante. O reconhecimento de boas práticas do UEMS Acolhe foi destacado em relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), evidenciando sua relevância nacional.

