A recente venda das empresas que compõem o Consórcio Guaicurus para o grupo HP Mobilidade, anunciada pela Prefeitura de Campo Grande, reaviva lembranças de um tempo em que o transporte coletivo da Capital pulsava com a identidade de diferentes companhias. Muito antes do Consórcio, criado em 2012, operadoras como Viação São Francisco, Cidade Morena e Jaguar eram protagonistas no dia a dia da cidade.
Essas empresas não apenas transportaram milhares de passageiros, mas também teceram a história de muitas famílias campo-grandenses. O professor de Educação Física Lucas Matheus Mariano compartilha como o transporte coletivo atravessou gerações em sua família. Seu pai foi motorista entre 1987 e 1990, e seus tios também atuaram no setor. O sogro de Lucas, inclusive, acumula 40 anos na profissão.
Lucas iniciou sua jornada em 2006 na Viação São Francisco, onde passou por diversas funções operacionais até 2024. Mesmo após se formar, conciliou por anos o trabalho na empresa com aulas na rede municipal. “Minha paixão não era o ônibus em si. Era a Viação São Francisco. Eu amava aquele lugar pelas pessoas”, revela. Ele descreve a empresa como visionária, com ônibus distintos, e viveu a transição para o modelo atual do Consórcio.
A história familiar também se materializa em fotografias. Uma imagem de 1988 mostra Lucas e a irmã crianças ao lado do pai, em frente ao ônibus que ele dirigia. Em 2021, o registro foi refeito, marcando a passagem do tempo.
Para Luciana de Souza Pereira, agente de conservação, as lembranças são ligadas ao pai, Otaciano Modesto Pereira, que foi motorista antes mesmo de ela nascer. Cresceu ouvindo suas histórias e guarda na memória os passeios até a antiga rodoviária para visitar os avós. “Enquanto esperávamos o ônibus, passeávamos pelas lojas, comíamos salgados. Para mim era mágico.”

