Meta de Universalização do Acesso à Água
As aldeias indígenas de Mato Grosso do Sul deverão ter o abastecimento de água universalizado até o final de 2027. A projeção foi apresentada em Campo Grande, em evento realizado na Governadoria, como parte da divulgação de um estudo sobre os benefícios econômicos da expansão do saneamento no estado. A iniciativa representa uma decisão política articulada entre esferas de governo e a empresa de saneamento local, visando solucionar a questão do acesso à água de qualidade para aproximadamente 120 mil indígenas.
Execução e Parcerias para o Saneamento Hídrico
Os planos para a universalização se desdobram em duas frentes de ação. A primeira concentrase nas aldeias de Dourados e Itaporã, onde os processos licitatórios já foram concluídos e estão em fase de homologação e emissão de ordens de serviço. A expectativa é que as obras iniciem ainda no corrente ano, com conclusão prevista em aproximadamente dezoito meses. Paralelamente, uma segunda frente de trabalho prevê uma parceria com a Itaipu Binacional. Deste acordo, foram desenvolvidos 19 projetos para comunidades indígenas, dos quais oito serão executados nesta fase inicial, com projeção de continuidade através de novos convênios. Dois editais já foram lançados, e os seis restantes serão publicados sequencialmente, com previsão de início das obras entre 60 e 90 dias, e conclusão em cerca de um ano.
Contexto Histórico e Demandas Sociais
O anúncio ocorre em um cenário de desafios históricos no abastecimento hídrico das aldeias indígenas do estado, especialmente na Reserva de Dourados. A carência de água potável tem sido motivo de manifestações, bloqueios rodoviários e cobranças contínuas por soluções permanentes. Relatos de moradores das aldeias Bororó e Jaguapiru indicam torneiras sem água, o uso de fontes hídricas não tratadas e a dependência de sistemas improvisados como caminhões-pipa e reservatórios temporários. A crise se estende por décadas, com relatos de falta de manutenção em sistemas existentes e riscos à saúde pública devido ao consumo de água inadequada. O Ministério Público do estado tem atuado na apuração de denúncias sobre falhas no acesso a água potável e assistência básica. Recentemente, um projeto para implantação de 5.991 ligações de água foi apresentado para as aldeias Bororó e Jaguapiru, com a promessa de sanar o desabastecimento nessas comunidades.

