Destaques:
- Curso de encanador é oferecido a detentos na Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande.
- Parceria entre Águas Guariroba, Senai e Agepen visa capacitar internos e reduzir desperdício de água.
- Iniciativa oferece certificação e pode ajudar na redução de pena e reinserção social dos participantes.
Na Penitenciária de Segurança Máxima Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande, o som de canos e chuveiros com defeito deu lugar a uma nova oportunidade. Detentos agora aprendem a profissão de encanador. A iniciativa surge a partir de um problema persistente de vazamentos e desperdício de água nas unidades prisionais.
O projeto é detalhado no terceiro episódio do podcast narrativo “Entre Áudios”, intitulado “Dentro da Máxima”. A ideia nasceu após visitas às unidades prisionais identificarem uma série de problemas: pequenos vazamentos, chuveiros quebrados e torneiras pingando. Somados, esses inconvenientes elevam o consumo de água e afetam a estrutura das edificações.
Uma parceria foi formada envolvendo a concessionária Águas Guariroba, o Senai e a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen). A Águas Guariroba fornece os materiais necessários, o Senai ministra a formação profissional e a Agepen seleciona os internos para o curso.
A participação no curso exige conduta exemplar dos detentos, com preferência para aqueles em pavilhões de reabilitação de drogas. A seleção cuidadosa é um pilar do projeto, especialmente em um ambiente com a influência de facções criminosas.
A proposta é que os próprios participantes realizem os reparos necessários nas instalações, consertando vazamentos e combatendo o desperdiço. Além de cuidar da estrutura que utilizam, os detentos ganham experiência prática e certificação. Esses fatores são vistos como cruciais para a busca por trabalho após o cumprimento da pena.
Um dos participantes, que cumpre pena há três meses, relata que o curso representa uma chance real de mudança. A motivação principal é o filho de 12 anos. Ele expressa o desejo de construir um novo caminho, longe da vida errada.
Profissionais da unidade destacam que o aprendizado de uma nova função, aliado ao estudo, pode transformar o comportamento dos detentos, especialmente em um contexto de poucas perspectivas. No sistema prisional, a cada 12 horas de curso, um dia de pena pode ser computado como remido.
O sistema prisional de Mato Grosso do Sul abriga mais de 18 mil internos, a maioria envolvida com crimes de tráfico de drogas. Para o futuro, cerca de 2 mil vagas em cursos profissionalizantes estão planejadas para o sistema em 2026.
O podcast “Dentro da Máxima” segue a linha editorial do “Entre Áudios”, que transforma entrevistas de reportagens em narrativas sonoras, enriquecendo a experiência com detalhes ambientais e a profundidade da voz.

