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Morte em Abordagem Policial: Defesa Sustenta Tese de Confronto Fora do Alcance das Câmeras em Anastácio

ANASTÁCIO – A investigação sobre a morte de Welington dos Santos Vieira, de 27 anos, ganhou novos contornos com as declarações das defesas dos policiais militares envolvidos. Segundo os advogados de Thiago Germano de Figueiredo e Enilton Cintra Duarte, o vídeo capturado por câmeras de segurança, que mostra o jovem correndo e caindo, omite o momento crucial do disparo, que teria ocorrido metros antes em um contexto de legítima defesa.

Os policiais, que foram postos em liberdade na última quarta-feira (8), continuam sendo investigados pela Corregedoria da PM. A defesa argumenta que as imagens registram apenas o deslocamento final da vítima, que já teria sido alvejada após avançar contra os agentes em uma esquina adjacente.

Dinâmica dos Fatos e Provas Periciais

A advogada Katiussa Prado (ASPRA-MS) pontuou que o laudo pericial preliminar serve como peça-chave para a tese de confronto frontal. Segundo ela, o projétil atingiu o rosto de Welington, percorrendo a trajetória em direção à nuca.

“Essa trajetória descarta qualquer hipótese de tiro pelas costas”, afirmou a defesa, ressaltando que houve dois disparos quase simultâneos por parte da guarnição, mas apenas um atingiu o alvo.

Já o advogado Edmar Soares da Silva (ACSMP/MS) rebateu a tese de que os policiais teriam alterado a cena do crime. Ele classificou como “fantasiosa” a suspeita de que cápsulas teriam sido recolhidas do chão, explicando que o modelo da arma utilizada ejeta os cartuchos lateralmente. Além disso, a defesa informou que uma faca, que estaria em posse de Welington, foi entregue à perícia.

Conexão com Duplo Homicídio

O caso é complexo e se entrelaça com outra investigação da Polícia Civil em Anastácio. Welington era apontado como um dos possíveis executores de Vilson Fernandes Cabral e Maria Clair Luzni, casal assassinado a mando da própria filha de Maria e do namorado dela.

  • Execução do Casal: A polícia investiga a participação de Welington e David Vareiro Machado (também falecido) no crime.

  • Morte de Comparsa: David teria sido morto por um dos mandantes após cobrar o pagamento pelo “serviço”.

  • Contraponto: A família de Welington nega qualquer ligação dele com o assassinato do casal e contesta a versão policial.

Próximos Passos Judiciais

Com os policiais em liberdade e novos depoimentos prestados, o inquérito segue agora para a análise técnica. O relatório final da autoridade policial militar será encaminhado ao Ministério Público, que terá a responsabilidade de decidir entre o oferecimento da denúncia ou o pedido de arquivamento, baseando-se no confronto entre os laudos balísticos e as versões apresentadas.

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