- Deputada federal Camila Jara (PT) afirma ter sido impedida de participar da última agenda em evento com o Ministro da Fazenda na Fiems.
- A parlamentar acusa a Federação das Indústrias de ‘gaslighting’ após a entidade emitir nota que contradiz seu relato dos fatos.
- O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, repudiou publicamente o tratamento dado à deputada, destacando a importância da representação popular.
Um incidente envolvendo a deputada federal Camila Jara (PT) e a Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems) trouxe à tona discussões sobre o acesso de representantes eleitos a eventos institucionais e a comunicação estratégica de grandes entidades. A parlamentar contesta veementemente uma nota emitida pela Fiems que afirmava sua participação integral na programação com o Ministro da Fazenda, Dario Durigan, ocorrida na quinta-feira, 30 de maio.
O Cerne da Controvérsia e as Alegações de ‘Gaslighting’
Camila Jara reafirma ter sido impedida de participar da última reunião do dia, conforme determinação do presidente da Fiems, Sérgio Longen. A deputada narrou ter sido retirada de dentro de um elevador no prédio da entidade. Em posicionamento, ela classificou a maneira como foi tratada durante as agendas na Fiems como ‘misógina e antidemocrática’. A parlamentar integrava a comitiva oficial do Ministério da Fazenda, a convite do próprio ministro.
A nota da deputada detalha que, em todos os compromissos na Fiems, a parlamentar precisou defender sua permanência, sendo constantemente convidada a se retirar. Uma situação similar teria sido enfrentada pela senadora Soraya Thronicke, que teria sido impedida de acessar uma sala de reunião em agenda anterior na mesma entidade.
Após o incidente ganhar repercussão, a Federação das Indústrias divulgou um comunicado informando que Camila Jara teria participado de todas as agendas, incluindo reunião reservada com empresários, entrevista coletiva e o encontro empresarial no auditório da Casa da Indústria. Contudo, a Fiems não apresentou comprovação da presença da deputada na última reunião do dia, realizada após a palestra do ministro. A deputada federal acusa a comunicação da Fiems de ‘gaslighting’, termo que se refere à manipulação para fazer a vítima duvidar da própria memória, ao não mencionar o último compromisso, do qual ela foi impedida de participar.
As imagens divulgadas pela Federação, de acordo com Jara, mostram apenas a primeira reunião e a coletiva de imprensa, que precederam a palestra do ministro. A ausência de registros da deputada na última agenda seria, para ela, uma prova de que seu acesso foi barrado pelo presidente da entidade, que teria alegado ao ministro Dario Durigan o cancelamento de um jantar caso a deputada estivesse presente, uma vez que ela havia exigido investigações em contratos com verba federal da entidade.
Implicações do Incidente e os Desafios da Transparência
A parlamentar sustenta que o impedimento se deu em razão de seus pedidos de investigações contra a gestão de Sérgio Longen. Ela destaca sua posição como única representante de Mato Grosso do Sul na Comissão de Tributação e Finanças da Câmara dos Deputados, onde atua em temas como redução de impostos, reforma da renda e reforma tributária. Em seu posicionamento, Jara enfatiza que ‘uma instituição tão importante para o desenvolvimento social e econômico do Mato Grosso do Sul, como a Federação das Indústrias, não pode curvar-se para blindar uma única pessoa’.
O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, manifestou publicamente repúdio à atitude do presidente da Fiems de barrar a deputada federal Camila Jara. O ministro, que estava sendo acompanhado pela parlamentar em uma série de agendas em Campo Grande, reforçou a importância do assento de um representante popular em qualquer evento ou reunião.
A Fiems, instituição central para o setor industrial do estado, tem um papel significativo no desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul. Um episódio como este, que envolve acusações de cerceamento de acesso a uma parlamentar e alegações de manipulação comunicacional, levanta questionamentos profundos para a sociedade local. Como a Fiems, uma entidade que se propõe a representar o setor produtivo, concilia sua atuação com os princípios de transparência e acesso democrático? Qual o impacto dessas tensões nas relações entre o setor privado e o poder público, especialmente em um contexto de fiscalização e cobrança por prestação de contas? E de que forma a comunicação institucional deve lidar com controvérsias, garantindo a credibilidade e a confiança pública?

