Destaques:
- A IV Conferência de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos (Cirajud 2026) reúne em Mato Grosso do Sul diversas autoridades nacionais e internacionais.
- O evento, promovido pelo Tribunal de Justiça de MS e pela Polícia Federal, foca na cooperação jurídica e em estratégias aprimoradas para enfrentar o crime organizado.
- Debates centram-se na proatividade do Judiciário e na recuperação de bens ilícitos, visando resultados concretos para a sociedade local.
Mato Grosso do Sul, um estado com particularidades geográficas e socioeconômicas que o colocam em posição estratégica no cenário nacional e internacional do combate ao crime organizado, sedia um evento de alta envergadura. Teve início na tarde de uma terça-feira de maio, a IV Conferência de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos (Cirajud 2026). A iniciativa, que se estende até o dia 7 do mesmo mês, é fruto de uma colaboração entre a Polícia Federal e o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, ao lado de parceiros como a Escola Superior da Magistratura de MS (Esmagis), a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), além dos Ministérios Públicos Estadual e Federal e das Polícias Civil e Militar.
A conferência não é apenas um encontro burocrático, mas um palco para discussões cruciais sobre cooperação jurídica e estratégias de enfrentamento a redes criminosas que afetam profundamente o tecido social e econômico do estado. A ênfase recai na integração entre as diversas instituições de segurança pública e do sistema de justiça, buscando aprimorar a resposta estatal a um problema complexo e multifacetado.
O Diálogo Necessário: Judiciário e Forças de Segurança em Foco
Na cerimônia de abertura, realizada no auditório da Amamsul, o presidente do TJMS, Des. Dorival Renato Pavan, enfatizou que a iniciativa reflete a articulação entre o Judiciário e as forças de segurança. Ele destacou o compromisso conjunto no enfrentamento ao crime organizado, afirmando que a relevância da temática motivou o acolhimento imediato da proposta de sediar a conferência em MS. Para o Desembargador Pavan, esse diálogo interinstitucional é pilar e fundamento para o sucesso das ações de combate ao crime organizado no Brasil.
O presidente do TJMS também direcionou a atenção para os desafios intrínsecos à lavagem de dinheiro e à ocultação de bens, sublinhando a imperatividade de uma atuação firme do Judiciário. A expectativa é que as decisões judiciais não se limitem à mera formalidade, mas gerem resultados concretos e perceptíveis para a sociedade. Pavan defendeu uma postura mais proativa na condução dos processos, com medidas que transcendam a repressão, alcançando a recuperação de ativos através de mecanismos como a alienação antecipada de bens. Em sua análise, a troca de experiências e a consolidação de boas práticas são vitais para fortalecer o sistema de justiça, observando que as forças de segurança têm progredido no combate a estas estruturas criminosas, e a elaboração de enunciados e boas práticas orienta uma atuação cada vez mais integrada.
O diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da Polícia Federal, delegado Dennis Cali, reiterou a importância da escolha de Mato Grosso do Sul como sede do evento, um estado que se tem destacado nas ações de recuperação de ativos ilícitos. Ele explicou que a conferência visa ampliar o debate técnico e a cooperação entre as instituições, com foco na identificação, apreensão, gestão e destinação de bens vinculados ao crime. A intenção é fomentar um diálogo aberto entre todas as instituições que atuam na linha de frente, pois essa troca de experiências práticas é essencial para aprimorar o combate às organizações criminosas.
O delegado da Polícia Federal apontou que investigações desse tipo devem priorizar o rastreamento de fluxos financeiros e a recuperação de ativos. Ele reconheceu avanços significativos na gestão e destinação de bens apreendidos nos últimos anos, especialmente com o apoio do Ministério da Justiça, mas ressaltou a existência de espaço para evolução, tornando o intercâmbio de informações um componente fundamental. A questão que se impõe para a sociedade sul-mato-grossense é: quão efetivamente esses bens recuperados retornam para o benefício público, fortalecendo a própria segurança e justiça que os confiscou?
O Mosaico da Cooperação e a Agenda Estratégica
A mesa de abertura da conferência evidenciou a amplitude institucional do evento, contando com a presença do desembargador Jean Marcos Ferreira, representando o TRF3; do procurador-geral de Justiça de MS, Romão Ávila Milhan Júnior; do coordenador-geral de Combate ao Crime Organizado da Senasp, delegado Getúlio Monteiro de Castro Teixeira; do secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira; e do presidente da Amamsul, juiz Mário Esbalqueiro Júnior. A diversidade de representações aponta para uma frente unida contra um inimigo comum, mas também levanta a reflexão sobre a capacidade de coordenação prática entre tantas esferas e a superação de eventuais burocracias que possam atrasar as ações.
A programação da conferência, que se estende por três dias, inclui palestras e painéis focados na atuação integrada no combate ao crime organizado. Entre os temas de destaque estão o papel do Judiciário na recuperação de ativos, a aplicação da inteligência financeira em investigações, a análise de relatórios e a cadeia de custódia de provas digitais. A agenda inclui ainda discussões sobre iniciativas como a Rede Recupera, a atuação de grupos especializados da Polícia Federal e estratégias para a gestão e destinação de bens apreendidos. Além das exposições, estão previstos grupos de trabalho, cujo objetivo é consolidar propostas e fortalecer ainda mais a cooperação entre as instituições participantes. Resta à sociedade observar o desdobramento dessas propostas em políticas públicas e ações que reforcem, de fato, a segurança e a confiança no sistema de justiça em Mato Grosso do Sul.


