Destaques:
- A Lei nº 6.563/2026 institui a juruva (Baryphthengus ruficapillus) como ave símbolo dos domínios da Mata Atlântica em Mato Grosso do Sul.
- A iniciativa visa promover a biodiversidade sul-mato-grossense, incentivar a educação ambiental, o aviturismo e a pesquisa científica.
- Fruto de um processo participativo, a medida reforça o protagonismo do estado nas discussões sobre conservação da biodiversidade.
Mato Grosso do Sul deu um passo significativo na valorização de sua rica biodiversidade e no fortalecimento de políticas públicas voltadas à conservação ambiental e ao turismo de natureza. A juruva (Baryphthengus ruficapillus) foi oficialmente instituída como ave símbolo dos domínios da Mata Atlântica no estado, por meio da sanção da Lei nº 6.563/2026.
Marco Legislativo e Objetivos Estratégicos
A legislação estabelece que o reconhecimento da juruva tem múltiplos objetivos, todos convergindo para a promoção e preservação do patrimônio natural sul-mato-grossense. Entre as finalidades, destacam-se a valorização da biodiversidade local, o incentivo a ações de educação ambiental, o estímulo ao turismo de observação de aves — um segmento em crescimento no estado —, e o fomento à pesquisa científica. Além disso, a lei busca ampliar a conscientização da população sobre a importância vital da preservação da Mata Atlântica e de seus habitats.
Engajamento Multissetorial e Relevância Temporal
A escolha da juruva resultou de um processo participativo abrangente, que mobilizou diversas instituições públicas, privadas e organizações da sociedade civil. A proposta foi apresentada pela Frente Parlamentar de Unidades de Conservação durante reunião realizada na Assembleia Legislativa em 27 de maio de 2025, data em que se celebra o Dia Nacional da Mata Atlântica. O resultado da consulta pública, que demonstrou o apoio à iniciativa, foi divulgado em 5 de junho de 2025, Dia Mundial do Meio Ambiente. A sanção da lei ocorre em um momento estratégico para Mato Grosso do Sul, logo após a realização da COP15 no próprio estado, o que reforça o protagonismo regional nas discussões globais sobre conservação da biodiversidade.
Perspectivas Institucionais e Impulso ao Turismo
A Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur MS) teve atuação destacada desde a construção da proposta. Edson Moroni, gerente de Estruturação e Inovação da Oferta Turística da Fundtur, salientou que a iniciativa fortalece o posicionamento do estado no turismo de natureza. Ele afirmou que ‘A Fundação de Turismo participou ativamente desde o início da construção dessa iniciativa. [A instituição] vê este passo se concretizando, fortalecendo a valorização da biodiversidade e do turismo de natureza no estado’. Geancarlo Merighi, diretor de Desenvolvimento do Turismo da Fundtur MS, reiterou que a medida reforça o papel da gestão pública na consolidação do segmento, afirmando que ‘A escolha da ave símbolo reforça a valorização da identidade local e o papel da gestão pública na consolidação do segmento de observação de aves como vetor de desenvolvimento sustentável’.
A nova legislação também prevê que o Poder Executivo poderá adotar medidas complementares para promover a imagem da juruva em campanhas educativas, materiais institucionais e eventos ambientais, ampliando seu alcance e impacto.
Ana Luzia Abrão, gestora da RPPN Ernesto Vargas Baptista, localizada no município de Eldorado, avaliou que a aprovação ‘mostra a união de diversas instituições em prol da valorização de uma espécie emblemática da nossa fauna’, e pontuou a colaboração da Fundação de Turismo, IGRs, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Imasul, RPPNs, prefeituras e organizações locais. José Lucas, operador turístico e executivo da Instância de Governança Vale das Águas, considerou a iniciativa um marco para o setor. Ele afirmou que ‘Essa ação foi fundamental para valorizar o segmento de turismo de observação de aves. Houve uma mobilização importante de diversos atores, e entendemos que fortalecer esse segmento é estratégico para o desenvolvimento sustentável do território’.
Esta iniciativa se conecta a ações estruturantes já em andamento. Recentemente, a Fundação de Turismo, em parceria com a IGR Vale das Águas e o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), lançou uma rota de observação de aves em Unidades de Conservação da Mata Atlântica, ampliando as oportunidades para o aviturismo na região.
A Juruvá e a Riqueza da Mata Atlântica Sul-Mato-Grossense
Mato Grosso do Sul abriga uma porção significativa da Mata Atlântica, com cerca de 6,3 milhões de hectares inseridos no bioma, o que inclui a maior área contínua preservada desse ecossistema no interior do Brasil. Desse total, mais de 1 milhão de hectares estão em unidades de conservação, como o Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema e a Área de Proteitação Ambiental das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná, além de reservas particulares e áreas municipais protegidas.
A juruva, uma espécie típica da Mata Atlântica, é reconhecida por sua beleza singular, comportamento discreto e importância ecológica, sendo considerada um relevante indicador da qualidade ambiental dos ecossistemas florestais.
Com a instituição da juruva como ave símbolo, Mato Grosso do Sul reforça seu posicionamento como destino estratégico para o turismo de natureza, integrando de forma coesa a conservação ambiental, a pesquisa científica, a educação e o desenvolvimento econômico sustentável.
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