A estratégia jurídica da defesa do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, busca desconstruir a interpretação da Polícia Civil sobre a dinâmica do atentado ocorrido na última terça-feira (24 de março), no bairro Jardim dos Estados. O advogado Oswaldo Meza refuta a hipótese levantada pela investigação de que Bernal teria efetuado um disparo final contra o empresário Roberto Carlos Mazzini enquanto este já estava caído e indefeso.
O ponto central da divergência reside no intervalo de tempo entre os tiros. Enquanto a linha investigativa sugere um hiato de cinco segundos entre o primeiro disparo e o último, a defesa alega que Bernal agiu em movimento contínuo. “Ele atirou caminhando, de uma só vez, sem qualquer espaçamento temporal”, afirmou Meza, baseando-se no depoimento do chaveiro que acompanhava a vítima e que teria relatado ouvir apenas um “barulho unificado”.
Análise técnica das imagens e da arma
Para sustentar a tese de disparos sequenciais, o defensor pede que as autoridades analisem com rigor as imagens das câmeras de segurança. Segundo Meza, os registros mostram o impacto do recuo da arma (um revólver calibre .38) nas mãos do ex-prefeito e a fumaça da pólvora ocorrendo de forma quase simultânea. A defesa argumenta ainda que não houve o ato de “fazer mira”, reforçando a ideia de uma ação impulsiva em vez de uma execução planejada ponto a ponto.
Disputa imobiliária motivou o crime
O conflito que culminou nos disparos teve origem em uma disputa patrimonial. Roberto Carlos Mazzini havia adquirido um imóvel de Bernal, avaliado em R$ 3 milhões, por meio de um leilão judicial. Na tarde do crime, o empresário foi até a residência na Rua Antônio Maria Coelho para tomar posse do local, acompanhado de um chaveiro, quando foi surpreendido pela chegada do ex-prefeito.
As imagens do circuito interno mostram que Bernal entrou no imóvel proferindo xingamentos e efetuando os disparos. O chaveiro, que recebeu ordens para se deitar, conseguiu fugir durante um momento de distração do agressor. Após os tiros, Bernal deixou o local em uma caminhonete e, horas mais tarde, apresentou-se à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro.
Situação prisional
Atualmente, Alcides Bernal permanece detido preventivamente no Presídio de Trânsito, localizado no Complexo Penal de Campo Grande, no Jardim Noroeste. A prisão foi mantida após audiência de custódia. A banca de defesa informou que aguardará a conclusão oficial do inquérito policial para ingressar com novos pedidos de liberdade, mantendo o foco na reclassificação da conduta do cliente durante o episódio.

