O mercado financeiro amanheceu em tom defensivo nesta quinta-feira (26 de março), revertendo o breve alívio registrado na sessão anterior. Sob o impacto direto da instabilidade geopolítica no Oriente Médio, o dólar comercial voltou a ganhar força, operando em alta de 0,16% e negociado na casa dos R$ 5,2350. O movimento reflete uma busca global por segurança, alimentada pela ausência de avanços concretos nas negociações de cessar-fogo entre Israel e Irã.
O cenário externo é agravado pela resiliência dos preços do petróleo. O barril do tipo Brent segue sustentado acima do patamar de US$ 100, o que gera um efeito em cadeia: eleva o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e fortalece a moeda norte-americana frente a divisas de países emergentes, como o Brasil. No exterior, o dólar também avança contra pares fortes, registrando valorização perante o euro e a libra esterlina.
No cenário doméstico, o clima de cautela é reforçado por dados econômicos locais. O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,44% em março, posicionando-se próximo ao teto das expectativas do mercado. Somado a isso, o Relatório de Política Monetária do Banco Central trouxe uma mensagem austera, indicando que a convergência da inflação para o centro da meta só deve ocorrer no segundo semestre de 2028. Essa leitura consolida a perspectiva de que os juros permanecerão em patamares elevados por um período mais prolongado, o que gera pressão adicional sobre a atividade econômica e o câmbio.
Apesar da pressão de alta, existe um “amortecedor” importante para o real. A valorização das commodities energéticas melhora os termos de troca do Brasil, favorecendo grandes exportadoras como a Petrobras. Esse fluxo de dólares proveniente das exportações pode atenuar oscilações mais bruscas da moeda, impedindo uma disparada desenfreada no curto prazo.
Para o consumidor brasileiro, o impacto já é sentido no cotidiano. O petróleo caro encarece o frete, as passagens aéreas e, consequentemente, o preço dos alimentos nas gôndolas. Com o dólar novamente em trajetória ascendente, o mercado permanece em estado de alerta, monitorando cada desdobramento no Golfo Pérsico e as próximas sinalizações do Comitê de Política Monetária (Copom).

