O fortalecimento das relações econômicas e de infraestrutura entre Brasil e Bolívia, com relevância direta para Mato Grosso do Sul, foi o centro das discussões em um encontro estratégico realizado em Brasília. O governador Eduardo Riedel participou de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente boliviano Rodrigo Paz, onde foram delineadas estratégias de integração em setores cruciais como energia e logística.
O encontro, que ocorreu no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, contou também com a presença do secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, e outras autoridades dos dois países. A agenda abordou temas de alta relevância para o desenvolvimento regional, incluindo o fornecimento de gás natural boliviano, a otimização da integração ferroviária, o potencial da Hidrovia do Rio Paraguai e a expansão da cooperação energética.
Um dos pontos centrais da discussão foi a necessidade de modernização da regulamentação referente ao gás natural importado da Bolívia. Esse insumo, que chega ao Brasil através de Mato Grosso do Sul, desempenha um papel significativo na arrecadação estadual e é um pilar para o desenvolvimento industrial. A atualização da legislação é vista como essencial para atrair novos investimentos e impulsionar o crescimento econômico do setor.
A integração logística entre Mato Grosso do Sul e a Bolívia também esteve em pauta. Foram debatidos o fortalecimento da Hidrovia do Rio Paraguai e o futuro da ferrovia Malha Oeste, cuja concessão deve ser leiloada pelo governo federal até novembro. A ambição é conectar a malha ferroviária brasileira à Ferroviaria Oriental boliviana, uma ligação que pode intensificar o fluxo de mercadorias e consolidar o papel do estado como um corredor logístico estratégico.
Um marco importante do encontro foi a assinatura de um acordo bilateral para a interconexão elétrica entre Brasil e Bolívia. O projeto visa aprimorar a integração energética através da construção de linhas de transmissão de alta capacidade, conectando a província boliviana de Germán Busch, em Santa Cruz, ao município sul-mato-grossense de Corumbá. A infraestrutura incluirá uma estação conversora de frequência no lado brasileiro e linhas de transmissão com potencial para cerca de 420 megawatts (MW).
Este acordo bilateral permitirá o intercâmbio de energia elétrica, especialmente de excedentes de geração, com a devida priorização do atendimento às demandas internas de cada país. O documento também contempla a possibilidade de trocas emergenciais em situações de contingência. Cada nação será responsável pela infraestrutura em seu território, com a coordenação técnica do Comitê Técnico Binacional Bolívia–Brasil.
A posição geográfica de Mato Grosso do Sul, com sua extensa faixa de fronteira com a Bolívia e localização central na América do Sul, foi reiterada como um ativo estratégico. Essa condição reforça o potencial do estado como corredor logístico para o escoamento de produtos sul-americanos para os mercados globais e para a recepção de mercadorias estrangeiras.
As discussões realizadas em Brasília sinalizam um progresso significativo nas tratativas para a consolidação de investimentos estruturantes na região, visando uma maior integração econômica e infraestrutural entre Mato Grosso do Sul, Brasil e Bolívia.
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