O setor de transporte rodoviário em Mato Grosso do Sul vive um período de forte valorização. Impulsionado pela aceleração da colheita da soja e pelo ritmo intenso das exportações, o custo do frete para o escoamento de grãos registrou altas expressivas em fevereiro de 2026. De acordo com o mais recente Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a combinação de demanda aquecida e fatores climáticos elevou os preços em mais de 30% em rotas estratégicas.
A movimentação nas estradas reflete o bom momento do campo. Até o fechamento de fevereiro, o estado já havia colhido cerca de 55% da área plantada de soja, resultando na exportação de 303,2 mil toneladas da oleaginosa, além de 119,4 mil toneladas de milho. Esse volume massivo de carga sobrecarregou a oferta de caminhões, sustentando o aumento nos valores cobrados pelos transportadores.
Rotas em alta e o impacto nos portos
O levantamento aponta que o transporte de média e longa distância foi o mais impactado. Algumas das rotas que partem de polos produtores sul-mato-grossenses apresentaram saltos consideráveis nos preços em comparação ao mês de janeiro:
Chapadão do Sul – Guarujá (SP): alta de 36%;
São Gabriel do Oeste – Maringá (PR): alta de 28%;
Sidrolândia – Maringá (PR): alta de 26%.
No cenário nacional, Mato Grosso do Sul divide a atenção logística com o Arco Norte, que concentrou cerca de 40% das exportações de grãos do país, e com o Porto de Santos, que recebeu 36,8% da soja brasileira. A expectativa de uma safra recorde, aliada à valorização do dólar e dos próprios grãos, mantém a procura por caminhões em patamares elevados em todo o território nacional.
Fatores regulatórios e custos operacionais
Além da lei de oferta e procura, novos componentes jurídicos e operacionais ajudam a explicar a manutenção dos preços elevados. Desde janeiro de 2026, está em vigor a nova resolução da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que atualizou os pisos mínimos do frete. O cálculo agora considera de forma mais rigorosa as variações nos preços do óleo diesel, pneus e custos de manutenção.
Essa fiscalização mais severa sobre o pagamento do frete impede negociações abaixo dos custos operacionais, garantindo o que o setor chama de “valor justo”, mas refletindo diretamente no custo final do escoamento. Com as chuvas características do período dificultando o tráfego em algumas regiões e aumentando o tempo de viagem, a tendência é que os custos logísticos permaneçam pressionados enquanto durar o pico do escoamento da safra de verão.




