As paisagens exuberantes de Mato Grosso do Sul, que entrelaçam o Pantanal, o Cerrado e a Mata Atlântica, são muito mais do que cartões-postais: elas formam um dos corredores ecológicos mais vitais do planeta. Prova disso é que, entre os dias 23 e 29 de março, Campo Grande sedia pela primeira vez no Brasil a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS COP15), reunindo representantes de 133 países.
O evento coloca o estado no centro do debate global sobre a fauna transfronteiriça. Segundo Rodrigo Agostinho, presidente do Ibama, o Pantanal é um ponto de parada estratégico para aves que viajam distâncias impressionantes, vindo de regiões como o Alasca e o Canadá, para fugir do inverno rigoroso do Hemisfério Norte e encontrar refúgio e alimento nas planícies inundáveis sul-mato-grossenses.
O Pantanal como “espaço de confraternização” da fauna
Diferente de biomas com muitas espécies exclusivas, o Pantanal funciona como um grande ponto de encontro. Na região sul do estado, o bioma recebe influências diretas do Chaco paraguaio e da Mata Atlântica, enquanto ao norte integra-se à Amazônia. Essa mistura resulta em uma riqueza ímpar: são mais de 670 espécies de aves registradas no estado — cerca de 35% de toda a avifauna brasileira.
Em destinos como o Buraco das Araras (Jardim) e a RPPN Rio da Prata (Bonito), turistas e pesquisadores observam o convívio harmônico entre espécies residentes e visitantes sazonais, como o pernilongo-de-costas-brancas e o irerê. Nas águas cristalinas de Bonito, o peixe dourado também cumpre seu papel migratório, realizando longos deslocamentos para reprodução, a piracema.
Sustentabilidade: O modelo de Bonito e Pantanal
Mato Grosso do Sul tem se tornado referência internacional ao provar que a conservação ambiental e o desenvolvimento econômico podem caminhar juntos.
Bonito: O município é o primeiro destino de ecoturismo do mundo a receber a Certificação Carbono Neutro. Eleito 19 vezes o melhor destino de ecoturismo do Brasil, a cidade aplica o manual de mudanças climáticas da Declaração de Glasgow.
Pantanal: O bioma, Patrimônio Natural da Humanidade, integra a pecuária tradicional ao turismo de observação. Fazendas e lodges adaptaram suas estruturas para oferecer experiências de vida livre, onde avistar uma onça-pintada ou um tamanduá-bandeira faz parte da rotina sustentável.
Desafios e o papel da ciência
Além da beleza cênica, a conservação das espécies migratórias é uma questão de saúde pública e equilíbrio ambiental. Rodrigo Agostinho destaca que essas espécies são fundamentais para a polinização, dispersão de sementes e controle de pragas, mas também exigem vigilância sanitária atenta, como no monitoramento da gripe aviária.
A realização da COP15 em solo sul-mato-grossense reafirma o papel da Fundação de Turismo (Fundtur) e do Governo do Estado na promoção de um turismo que não apenas gera renda, mas atua como ferramenta de proteção das 4,7 mil espécies de animais e plantas que habitam este ecossistema único.




