A cultura da erva-mate, elemento central da identidade histórica de Mato Grosso do Sul, vive um momento de revitalização em Laguna Carapã. Sob a organização da Agraer, o segundo dia de campo dedicado ao tema reuniu produtores, técnicos e pesquisadores para discutir estratégias que devolvam ao estado o protagonismo na produção do “ouro verde”, símbolo que remonta aos tempos da Companhia Mate Laranjeira.
O cenário atual, no entanto, revela um desafio econômico: hoje, Mato Grosso do Sul precisa importar mais de 90% da erva-mate consumida internamente. Para reverter esse quadro, o foco das autoridades e especialistas volta-se para a agricultura familiar. O coordenador regional da Agraer, Atílio Piolli, destaca que o incentivo estruturado começou em 2013, unindo a distribuição de mudas selecionadas ao suporte técnico contínuo para aumentar a rentabilidade dos pequenos produtores.
A sucessão familiar é um dos pilares dessa resistência cultural. No evento, o produtor Luciano Espindola, que representa a terceira geração de sua família no manejo da planta, reforçou o valor sentimental e econômico da atividade. “Era do meu avô, passou para o meu pai e hoje eu sigo essa tradição”, relatou, enfatizando que a preservação do cultivo é, acima de tudo, uma guarda da história local.
O encontro também promoveu o encontro entre o saber empírico e o rigor científico. A pesquisadora Ariadne Barbosa alertou para a necessidade de utilizar matrizes adaptadas ao clima sul-mato-grossense, criticando a dependência de mudas vindas de outras regiões que não possuem a mesma resiliência local. Complementando a visão técnica, o pesquisador Felipe das Neves Monteiro apontou que avanços em adubação, poda e manejo moderno podem elevar drasticamente os resultados de produtividade, unindo a experiência prática dos produtores às novas tecnologias de campo.
Presente até mesmo no hino municipal, a erva-mate em Laguna Carapã deixa de ser apenas uma lembrança do passado para se firmar como uma alternativa econômica sustentável. Entre o respeito às raízes e a adoção de novas práticas agrícolas, o setor aponta para um novo ciclo de desenvolvimento que promete fortalecer a economia regional e reduzir a dependência externa do produto.




