Símbolo máximo do ecoturismo brasileiro e referência internacional em geodiversidade, a Gruta do Lago Azul, em Bonito, conta agora com um esquema de vigilância e gestão técnica ainda mais rigoroso. O Governo de Mato Grosso do Sul, por meio do Instituto de Meio Ambiente (Imasul), consolidou uma estrutura de fiscalização presencial e contínua para assegurar que o fluxo de visitantes não comprometa a integridade deste Monumento Natural, tombado pelo Iphan desde 1978.
A estratégia de conservação é coordenada pela Semadesc e executada por uma força-tarefa multidisciplinar. A equipe residente na unidade é composta por fiscais ambientais, técnicos, pessoal administrativo e o suporte operacional da Polícia Militar Ambiental (PMA). Segundo o diretor-presidente do Imasul, André Borges, a presença estatal permanente é o que permite a Bonito manter o selo de destino sustentável. “Garantimos que a visitação seja responsável, protegendo o patrimônio para que ele continue encantando as próximas gerações”, pontuou.
O trabalho dos agentes ultrapassa os limites da caverna. A fiscalização estende-se ao entorno, monitorando balneários e empreendimentos privados na Serra da Bodoquena. O objetivo é manter o equilíbrio do ecossistema local, evitando que o crescimento do turismo gere impactos negativos em uma das regiões mais sensíveis do estado. Conforme explica a fiscal Luciana Loro, o acompanhamento técnico regular é o que garante a harmonia entre o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental.
Tesouro científico e fenômeno óptico
Além da beleza cênica que atrai turistas do mundo todo — especialmente entre setembro e fevereiro, quando a incidência solar torna o azul da água ainda mais vibrante —, a Gruta do Lago Azul é um sítio paleontológico de relevância global. Em suas profundezas, foram resgatados fósseis de megafauna do período Pleistoceno, como tigres-dentes-de-sabre e preguiças-gigantes que viveram há mais de 12 mil anos.
Sob as regras do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), o local é classificado como de Proteção Integral. Isso significa que apenas o uso indireto dos recursos é permitido, focando exclusivamente em turismo ecológico, educação ambiental e pesquisa científica. O Plano de Manejo, rigorosamente aplicado pelo Imasul, estabelece o zoneamento e as normas de conduta, consolidando um modelo de gestão que integra a ciência à economia do turismo, mantendo Bonito no topo dos destinos de natureza do Brasil.




