Uma iniciativa de capacitação profissional está abrindo novas oportunidades para mulheres em Mato Grosso do Sul, com foco na geração de renda e na reinserção social. Em Campo Grande, 16 mulheres, pré-egressas e egressas do sistema prisional, participaram de um curso gratuito de Confecção de Ovos de Páscoa e Trufas, resultado de uma parceria entre a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), por meio do Escritório Social de Campo Grande, e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
O curso, com carga horária de 8 horas, ofereceu certificação e teve como principal objetivo qualificar as participantes em uma área com alto potencial de retorno financeiro, especialmente no período da Páscoa. A instrutora de confeitaria e panificação do Senai, Miriel Isadora Miranda Moraes, detalhou que as alunas aprenderam técnicas essenciais para a produção profissional de chocolates, desde o manuseio correto até o controle de temperatura e a escolha dos ingredientes. Foram abordadas diversas formas de produção, incluindo ovos de colher e ovos trufados, além de trufas tradicionais.
As combinações de sabores para recheios, como paçoca, beijinho, brigadeiro e doce de leite, também fizeram parte do aprendizado. Segundo a instrutora, o conhecimento adquirido transcende a produção de ovos de Páscoa, podendo ser aplicado em outras áreas da confeitaria, como bolos, tortas e cupcakes, garantindo uma fonte de renda contínua ao longo do ano.
A capacitação também ressaltou o potencial de lucro na área. Conforme a instrutora, a margem pode chegar a 100%, com estimativas de que uma produção bem organizada possa gerar até R$ 3 mil de lucro líquido em cerca de um mês de vendas. A diretora substituta do Escritório Social, policial penal Rozimeire Zeferino, destacou a importância dos cursos profissionalizantes como um dos pilares da ressocialização, proporcionando autonomia financeira e dignidade às mulheres que buscam se restabelecer na sociedade.
Rozimeire enfatizou que, para muitas mulheres que deixam o sistema prisional e são chefes de família, a qualificação rápida em áreas como gastronomia, serviços gerais e estética amplia as chances de empregos formais ou de empreender. A realização dos cursos fora do ambiente prisional também contribui para o fortalecimento do sentimento de pertencimento social e para a reconstrução da identidade, comprovando a capacidade individual de produzir e trabalhar.
Kelly Cristina Tavares Oliveira, 45 anos, que cumpre pena em regime semiaberto e trabalha no Escritório Social, vê na capacitação a chance de transformar sua antiga paixão por confeitaria em profissão. Ela relata que, apesar de gostar de fazer bolos desde a juventude, nunca teve qualificação técnica, o que impactava o lucro. Agora, com o aprendizado correto, sonha em montar seu próprio negócio de doces, bolos e salgados.
Miriel Moraes, 53 anos, com experiência anterior na área gastronômica como chef em restaurantes de Campo Grande, enxerga no curso uma oportunidade de expandir seus horizontes. Ela considera que, mesmo com conhecimento prévio, a capacitação em doces abre novas possibilidades de trabalho e renda, permitindo a reinvenção de receitas e a venda de trufas durante todo o ano.
A iniciativa reforça o compromisso da Agepen em promover a reinserção social através da qualificação profissional, oferecendo às participantes novas perspectivas de futuro e autonomia econômica.
Obtido via RSS Feed para: agepen.ms.gov.br

