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Mato Grosso do Sul se Prepara para Nova Metodologia de Avaliação da Saúde no Sistema Prisional

Uma nova metodologia de avaliação dos indicadores de saúde no sistema prisional está sendo implementada, prometendo ampliar a capacidade de gestão, planejamento e intervenção nos territórios, incluindo Mato Grosso do Sul. Com foco na Atenção Primária Prisional (APP), o sistema permitirá uma análise detalhada por equipe, município e estado, marcando uma nova fase na organização do cuidado em saúde para a população carcerária.

Melhora na Gestão da Saúde Prisional

Atualmente, dados revelam que 70,4% das equipes de Atenção Primária Prisional no país estão classificadas como “regular” no indicador de combate à tuberculose. Este dado sublinha a necessidade de apoio técnico, reorganização de fluxos e aprimoramento dos registros assistenciais, especialmente considerando a vulnerabilidade epidemiológica presente nas unidades prisionais.

A avaliação da tuberculose considera critérios rigorosos, como a realização de quatro consultas médicas ou de enfermagem em um período de seis meses, a execução de baciloscopia de controle, radiografia de tórax e testagem para HIV. Essas medidas são cruciais para o diagnóstico precoce, o tratamento eficaz e a interrupção da cadeia de transmissão da doença.

Fase Preparatória para um Novo Modelo

Embora a metodologia já tenha sido lançada com seis itens de avaliação de qualidade, o sistema de contabilização oficial dos resultados só terá início em janeiro de 2027. O ano de 2026 será dedicado integralmente à fase preparatória, com treinamentos, esclarecimentos de dúvidas e alinhamento técnico dos indicadores.

Os indicadores integram o componente de Qualidade da Atenção Primária à Saúde, apresentados em um Seminário Nacional. A regionalização introduz uma abordagem que facilitará a análise detalhada dos dados de saúde por Unidade da Federação, município e equipe, permitindo ações mais direcionadas e eficazes.

Seis Eixos Fundamentais para a Avaliação

O monitoramento proposto abrange seis indicadores chave, que buscam induzir boas práticas na saúde prisional:

  • Mais acesso à Atenção Primária Prisional;
  • Cuidado na gestação;
  • Acompanhamento de pessoas com hipertensão e/ou diabetes;
  • Rastreio de IST (HIV, sífilis e hepatites B e C);
  • Cuidado da pessoa com tuberculose;
  • Prevenção do câncer do colo do útero.

Primeiros Resultados e Desafios Contínuos

Mesmo com a necessidade de qualificação contínua na abordagem da tuberculose, alguns indicadores já mostram desempenho promissor. No quesito acesso à Atenção Primária Prisional, 65,8% das equipes foram classificadas com desempenho satisfatório ou elevado (49,3% como “bom” e 16,5% como “ótimo”), indicando avanços na ampliação dos atendimentos individuais.

No cuidado à gestação, 41% das equipes alcançaram a classificação “ótimo”, considerando a realização de consultas por trimestre, testagem para IST, aferição de pressão arterial, avaliação odontológica e aplicação da vacina dTpa. Por outro lado, o rastreio de IST e a prevenção do câncer do colo do útero ainda demandam atenção, com 72,7% e 90,9% das equipes, respectivamente, classificadas na faixa “regular”. Esses números apontam para a necessidade de fortalecimento das estratégias assistenciais e qualificação contínua dos processos de cuidado nestas áreas.

Fortalecimento da Governança e Transparência

O país conta com 683 Equipes de Atenção Primária Prisional (eAPP) cofinanciadas, um modelo consolidado pela Portaria GM/MS nº 7.799, de 20 de agosto de 2025. Essa portaria alinhou o cofinanciamento das equipes prisionais aos componentes da Estratégia Saúde da Família, corrigindo distorções e incorporando um componente de qualidade.

A secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, enfatiza que a regionalização representa um avanço significativo na governança do Sistema Único de Saúde (SUS). “A regionalização traz transparência, responsabilidade sanitária e maior integração entre Estado e municípios. Estamos qualificando a Atenção Primária no sistema prisional com base em evidências, garantindo que os recursos investidos retornem em cuidado efetivo e em melhores resultados de saúde para essa população”, destaca.

Para Martha Goulart, gerente de Saúde do Sistema Prisional da SES, a capacidade de monitorar indicadores por região e por equipe é fundamental para a gestão do cuidado. “Quando conseguimos enxergar os indicadores por região e por equipe, temos condições reais de intervir, apoiar tecnicamente e reorganizar fluxos. No caso da tuberculose, esse acompanhamento mais próximo é fundamental para garantir diagnóstico oportuno, tratamento adequado e quebra da cadeia de transmissão dentro das unidades prisionais”, conclui.

Obtido via RSS Feed para: agepen.ms.gov.br

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