Em um movimento para fortalecer as relações econômicas e estratégicas entre Brasil e Bolívia, com impacto direto no desenvolvimento de Mato Grosso do Sul, autoridades de ambos os países se reuniram recentemente em Brasília. O encontro, realizado no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, contou com a participação do governador Eduardo Riedel, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente boliviano Rodrigo Paz, para discutir aprofundamento da integração nas áreas de energia e logística.
A agenda focou em temas considerados cruciais para o avanço regional. Entre os pontos discutidos estiveram o fornecimento de gás natural boliviano, a integração ferroviária, a otimização da hidrovia do Rio Paraguai e a expansão da cooperação energética entre as nações vizinhas. O secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck, também esteve presente, acompanhado de outras autoridades brasileiras e bolivianas.
Gás Natural: Regulamentação e Desenvolvimento para MS
Um dos pilares da discussão foi a necessidade de ajustes regulatórios para o gás natural importado da Bolívia, que chega ao Brasil por Mato Grosso do Sul. Este combustível representa uma parcela significativa da arrecadação estadual e é visto como um vetor primordial para o desenvolvimento industrial sul-mato-grossense. O governador Eduardo Riedel ressaltou que a modernização da legislação é indispensável para atrair novos investimentos ao setor, potencializando o crescimento econômico do Estado. “São discussões de grande importância para o Mato Grosso do Sul, como a reformulação da legislação referente ao gás, algo fundamental para que esse setor tenha mais investimentos, beneficiando diretamente o nosso Estado”, afirmou o governador.
Integração Logística: Ferrovias e Hidrovias
A pauta logística incluiu o fortalecimento da Hidrovia do Rio Paraguai e o futuro da ferrovia Malha Oeste. A expectativa é que a concessão da Malha Oeste seja leiloada pelo governo federal ainda em 2024, visando conectá-la à Ferroviaria Oriental, já em operação em território boliviano. Para Riedel, essa conexão ferroviária pode ampliar o fluxo de mercadorias, consolidando Mato Grosso do Sul como um corredor logístico regional estratégico. “Também debatemos a hidrovia no Rio Paraguai, cuja pauta cabe ao Governo Federal avançar, e a situação da ferrovia Malha Oeste. No lado boliviano, eles já contam com a linha Oriental”, explicou o governador.
Acordo Bilateral para Interconexão Elétrica
Durante a estadia em Brasília, foi assinado um acordo bilateral para a interconexão elétrica entre Brasil e Bolívia. O objetivo principal é expandir a integração energética por meio da construção de linhas de transmissão e outras infraestruturas de alta capacidade, ligando os sistemas elétricos dos dois países. Este acordo prevê a conexão entre a província de Germán Busch, no departamento de Santa Cruz (Bolívia), e o município de Corumbá, em Mato Grosso do Sul.
A infraestrutura projetada contempla a instalação de uma estação conversora de frequência no lado brasileiro e linhas de transmissão com capacidade estimada em 420 megawatts (MW). A interconexão permitirá o intercâmbio de energia elétrica, principalmente a partir de excedentes de geração, sempre priorizando as demandas internas de cada mercado. O documento prevê também a possibilidade de trocas emergenciais em cenários de contingência nos sistemas elétricos. Cada nação será responsável pelo financiamento, construção, operação e manutenção da infraestrutura em seu território, com coordenação técnica do Comitê Técnico Binacional Bolívia–Brasil.
Riedel enfatizou que a iniciativa tem potencial para garantir maior segurança energética ao Brasil e, consequentemente, abrir novas oportunidades para Mato Grosso do Sul. “Foi assinado um tratado sobre energia elétrica que para o Mato Grosso do Sul será de extrema importância, pois está garantindo mais suprimento de energia para o país e, por extensão, para o Estado”, pontuou. O presidente Lula complementou que a cooperação energética pode contribuir para ampliar o acesso à eletricidade em regiões que ainda dependem de combustíveis fósseis, manifestando o interesse do Brasil em cooperar com a Bolívia também na produção de biocombustíveis e outros recursos renováveis.
Posição Estratégica de Mato Grosso do Sul
A localização geográfica de Mato Grosso do Sul foi reiterada como um fator estratégico para a ampliação da integração regional. O Estado possui uma extensa fronteira com a Bolívia e está posicionado no centro da América do Sul, próximo a importantes mercados consumidores. Essa condição valoriza o território sul-mato-grossense como um corredor logístico fundamental para o escoamento de produtos sul-americanos para mercados globais, ao mesmo tempo em que facilita o acesso de mercadorias estrangeiras ao Brasil.
O governador Eduardo Riedel concluiu que os debates realizados em Brasília representam um avanço nas tratativas para consolidar investimentos estruturantes na região. “Certamente todos esses debates feitos hoje vão chegar a uma consolidação de importantes investimentos e dar uma integração econômica e estrutural Mato Grosso do Sul-Brasil-Bolívia”, finalizou.
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