Dourados, a maior cidade do interior de Mato Grosso do Sul, está sob alerta máximo devido a um surto de chikungunya que se estende para além das áreas indígenas, atingindo também os bairros urbanos. O infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha, renomado especialista em vigilância e saúde do Ministério da Saúde e pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), fez um apelo à população local para intensificar as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, vetor da doença.
Venâncio, que integra a Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) e foi enviado a Mato Grosso do Sul para auxiliar no controle da doença, destacou que o aumento nos índices de infestação afeta todo o município. “Essa elevação nos índices de infestação ocorre na cidade inteira. Nas aldeias tem mais visibilidade neste momento, mas é importante deixar claro que toda a cidade corre risco”, afirmou o especialista.
Com profundo conhecimento da região, tendo atuado como professor titular da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), Rivaldo Venâncio da Cunha chegou recentemente a Dourados. Seus primeiros dias foram dedicados a reuniões estratégicas com profissionais de saúde da reserva e representantes do MPF (Ministério Público Federal), visando discutir e aprimorar as táticas de enfrentamento ao surto nas aldeias Bororó e Jaguapiru.
O infectologista expressou preocupação com a extensão do problema. “É uma situação preocupante. Imagino que essa epidemia vai durar ainda pelo menos 10, 12 semanas. Ou seja, é importante que cada cidadão, que cada cidadã, dê a sua contribuição para o poder público, olhando seu quintal, para combater potenciais focos de proliferação do Aedes aegypti. É sempre bom lembrar que o Aedes se multiplica em todo e qualquer objeto que possa cumular água, independentemente do seu tamanho”, ressaltou.
Em vista da gravidade da situação, Venâncio manifestou-se favorável à decretação de emergência sanitária no município. Para ele, essa medida é crucial para antecipar o controle da doença e evitar um colapso. “As emergências sanitárias precisam ser decretadas quando há o diagnóstico de que o problema está em ascendência, em crescimento, antes de transbordar o copo, como se diz no popular. Depois que estiver um caos, a emergência sanitária pouco vai ajudar. Nesse sentido, mesmo sendo um pouco antecipada, creio que a decretação de emergência sanitária ajudará o poder público na tomada de decisões importantíssimas para evitar que o caos se instale tanto nas aldeias quanto na parte urbana”, avaliou.
A missão do infectologista em Dourados inclui auxiliar na organização da rede assistencial, racionalizar os fluxos de atendimento e acompanhamento dos pacientes, além de mobilizar profissionais da Força Nacional do SUS para atendimento direto. A equipe de reforço, composta por médicos e enfermeiros, era aguardada para chegar à cidade no domingo (22), ampliando a capacidade de resposta ao surto.
Dados Epidemiológicos na Reserva Indígena de Dourados:
Conforme o “Informe Epidemiológico Diário” divulgado pela Sesai (Secretaria de Saúde Indígena), a situação na Reserva Indígena de Dourados é crítica:
- Casos Suspeitos Notificados: 936
- Casos Confirmados: 274
- Casos Descartados: 90
- Casos em Investigação: 572 (aguardando resultados de exames)
- Pacientes Internados: 3 indígenas
Quatro óbitos de moradores das aldeias foram registrados entre 25 de fevereiro e 12 de março, sendo um bebê de 3 meses e três adultos com idades de 60, 69 e 73 anos.
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