Dourados, MS – O aumento significativo dos casos de chikungunya em Dourados tem gerado preocupação e colocado a saúde pública municipal em evidência. Durante a sessão ordinária desta quinta-feira (19) na Câmara Municipal, o vereador Franklin Schmalz (PT) levantou um alerta contundente sobre a carência de profissionais essenciais para o combate à doença.
O cenário é classificado como alarmante, especialmente diante do expressivo crescimento de infecções e o registro de óbitos na região, com maior concentração de casos na Reserva Indígena. O vereador relatou que tem acompanhado de perto a evolução da epidemia e pressionado os poderes públicos, nas esferas municipal, estadual e federal, para garantir o atendimento às comunidades indígenas e prevenir novas fatalidades. Com quatro mortes já confirmadas, a chikungunya começa a se expandir para áreas urbanas da cidade.
De acordo com Schmalz, Dourados deveria possuir estrutura de prontidão para lidar com o avanço da doença. Um dos principais obstáculos identificados é o déficit de pessoal na vigilância em saúde. O município enfrenta uma carência de aproximadamente 70 Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e mais de 40 Agentes de Combate às Endemias (ACE). Apesar da realização de um concurso público em 2024, nenhum dos aprovados foi convocado até o momento.
“Esses profissionais são a linha de frente na prevenção. Eles realizam visitas domiciliares, orientam a população, identificam focos do mosquito e atuam diretamente na contenção da proliferação. A situação atual reflete uma falha no investimento na base da saúde pública”, declarou o parlamentar.
Dados oficiais do Ministério da Saúde confirmam a precariedade. A cobertura de agentes comunitários em Dourados situa-se em torno de 58%, um índice considerado inferior ao necessário para a efetividade das ações de atenção primária.
O vereador enfatizou a urgência de ações imediatas. Ele ressaltou que a legislação federal possibilita a contratação desses profissionais com recursos da União, sem comprometer os limites de gastos com pessoal, o que, segundo ele, desqualifica justificativas para a morosidade na convocação.
A inquietação com a situação também mobiliza os aprovados no concurso. Na semana anterior, um grupo de candidatos realizou um protesto em frente ao Ministério Público Estadual, demandando a convocação e denunciando a sobrecarga das equipes de saúde que já atuam no município.
“O que estamos vivenciando é um sinal de alerta. Sem um reforço efetivo na prevenção, a crise pode se intensificar. A Prefeitura precisa agir com celeridade, convocar os profissionais necessários e fortalecer a atenção básica antes que a doença se dissemine ainda mais pela cidade”, reforçou Schmalz.
O vereador também formalizou uma denúncia junto aos órgãos competentes, solicitando a apuração da gestão municipal e a adoção de medidas urgentes para a recomposição do quadro de agentes, além do fortalecimento das estratégias de combate à chikungunya.
Para ele, o quadro atual expõe uma fragilidade estrutural na saúde pública de Dourados. “A saúde não pode ser gerida apenas na emergência. A falta de investimento em prevenção tem consequências mais severas e dispendiosas”, concluiu.
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